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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Retrospectiva: Quem é Tori Amos?

NOTA: assim como Madonna fez aniversário recentemente, Tori Amos também está de parabéns hoje. E este é meu presente pessoal a ela ^^



Tori Amos não é uma artista pop. O culto em torno de sua imagem pelos fãs faz com que haja uma aura de diva bem próxima da existente em torno de Madonna, Lady Gaga e tantas outras que se destacam por fazer músicas com maior apelo comercial, além de shows envolvendo todo tipo de parafernália tecnológica e números de dança, auxiliando-as a apresentar suas canções... Não que isso seja ruim (adoro esse lado também), mas Tori não é uma artista pop exatamente por mais se valer de suas emoções, uma boa iluminação e muitas vezes apenas seu piano para hipnotizar a plateia e, sem dúvida, entregar um grande espetáculo. No entanto, um traço que une Amos a essas outras cantoras é o fato de que ela viveu em frente aos olhos do mundo. Usando-se de personagens e todo tipo de artimanha para garantir sigilo (quando necessário) às pessoas envolvidas, Tori sempre falou de suas experiências, seus problemas, dúvidas e soluções que encontrou na tentativa de alcançar cura... Mesmo que não esteja cercada de mil paparazzi e coisas do tipo, acompanhar sua carreira é, sem dúvida, acompanhar sua vida.

É através dessas pequenas crônicas cantadas por ela que muitos conseguiram refletir sobre o que vinha acontecendo consigo mesmos, em busca dessa mesma cura. Mas Amos nunca ofereceu a solução mais simples, de autovitimização, de crer que o inferno é o mundo e nós temos de fugir dele para sermos felizes e satisfeitos... Durante os 20 anos de sua sólida carreira, a busca por algo mais factível e menos isolador é a trilha de seu caminho; e é sobre este caminho que me debruçarei um pouco para entregar a vocês uma retrospectiva de minha maior inspiração, como pessoa e artista.

Em 1992, Tori lança seu primeiro disco como uma artista solo, o arrebatador Little Earthquakes. Tratando de vivências pessoais, algumas mais comuns, como fins de relacionamento, e outras mais drásticas, um estupro, ela narra em suas 12 canções seus sentimentos mais íntimos, criando assim as primeiras peças que ajudariam a entender quem era essa moça de cabelo ruivo vivo, tocando piano de forma tão magistral. A primeira canção dela a ganhar um clipe, Silent All These Years, trata por exemplo da sensação de não sermos ouvidos por um longo período, o que consequentemente faz com que nos sintamos irrelevantes... Cantando que "esteve aqui, calada todos estes anos", ela rompe o silêncio de seu espírito amedrontado na tentativa feroz de ter coragem, coragem de mostrar a todos quem ela era ou ao menos quem queria ser. Assim ela falou sobre: religião e a noção de culpa incutida em todos os grandes cultos organizados (Crucify); sentir-se uma objeto sexual e acabar não estando satisfeita em seus desejos (Leather); reminiscências familiares e problemas vivenciados também no âmbito escolar (Winter e Precious Things); e a melancolia, um traço que por muitos anos marcou sua obra (Little Earthquakes).



A julgar pelos tópicos tratados já em seu primeiro disco, era de se esperar que Amos fosse uma feminista. E sem dúvida foi o feminismo a força motriz para seu segundo álbum, o aéreo Under The Pink. Todas as temáticas do Little Earthquakes foram acirradas e tratadas de forma ainda mais confrontacional, como é o caso da rancorosa God, em que ela pergunta a Deus se ele não precisa de uma mulher para cuidar dele, ou da gentil Past The Mission, uma bela balada na qual Tori toca em um assunto do mundo religioso que se tornaria central, adiante em sua carreira: Maria Madalena e Jesus Cristo. Como dessa vez o mote era feminino, as relações interpessoais estabelecidas entre mulheres tiveram papel central sobre o Under The Pink, e é justo o que ouvimos em Cornflake Girl e Waitress, músicas que falam sobre damas traindo damas, ou Bells For Her, na qual Amos discursa sobre a dificuldade em lidar com o vazio existencial de uma de suas irmãs de alma, Beenie. O disco fecha em uma nota altíssima, ao convidar uma orquestra para ampará-la na odisseia chamada Yes, Anastasia. Usando a história da princesa russa Anastácia Romanov como pano de fundo para a sua própria, Tori convida suas congêneres a perceberem o quão corajosas elas são, e que precisariam apoiar, umas às outras! É estupendo.

Depois de dois discos próximos sonicamente, Amos acaba trazendo à tona em sua obra um crack surgido com o rompimento de um relacionamento de 7 anos. E este rompimento não ficou evidente somente nas letras; a música dela foi profundamente afetada, já que agora ela cantava de forma sufocante, agressiva e extremamente catártica (coisa pouco comum em registros de estúdio para qualquer artista), além de suas habilidades com instrumentos de teclas estarem mais aguçadas do que nunca! Não contente em tocar só o piano, ela decidiu trazer vozes "masculinas" na forma de outros instrumentos, caso do cravo e do clavicórdio. Tudo isso resume-se num disco chamado Boys For Pele. E ele ganhou esse nome por Pele ser a Deusa havaiana do fogo e destruição, e haver uma antiga tradição que a ela dedicava garotos, sendo estes sacrificados ao serem jogados na cratera de um vulcão ativo. Os ditos "garotos" seriam as ilusões de Amos, e assim estaria ela, completamente despida de qualquer vaidade, jogando um a um seus garotos no fogo. A dor de ver parte do que alimenta seus sonhos morrer é algo capturado com maestria em canções como Blood Roses, Caught a Lite Sneeze e Hey Jupiter. Mas sobra espaço pra canções mais conscientes e depuradas, na forma das belas Doughnut Song, Putting The Damage On e Twinkle. Por muitos, o Boys For Pele é considerado a obra prima de Tori; sem dúvida, é uma viagem sem volta.



Passado todo o calor envolvido na produção do Pele, Tori encontrou um novo amor, Mark Hawley (com quem é casada até hoje), e em algum tempo decidiram se casar. Durante este período, ela acabou engravidando e pouco depois, sofreu o primeiro de uma sequência de 3 abortos (entre 97 e 99). Mesmo com sua vida pessoal voltando aos eixos, a perda de seu primeiro filho fez com que a cantora se sentisse ferida em sua essência, infértil como mulher... Ela decidiu então que se não podia criar no sentido biológico, criaria musicalmente, e assim nasceu mais um disco, o sombrio e aquático From The Choirgirl Hotel. Logo no início do novo trabalho, ela anuncia de forma lugubre em Spark que "poderia sustentar uma geleira, mas não manter o bebê vivo"; o refrão desta canção surge de forma quase abrupta, como de um surto psicótico, anunciando um dos meus versos prediletos dela: "você diz não querer, mais de uma vez, mas não é bem isso que pensa... Você diz não gostar do circo onde nos metemos, mas não é bem isso que pensa". A partir dele, as canções vão se apresentando, ora sexies, ora românticas, ora surtadas, mas todas emocionais ao extremo... Foi através delas que Amos conseguia encontrar algum consolo para suas questões inacabadas.

Com o término da Plugged Tour, sua primeira turnê acompanhada de uma banda, Tori decide lançar seu primeiro disco de canções ao vivo, baseado em apresentações desta incursão. To Venus and Back, no entanto, tornou-se um álbum duplo, com 11 faixas inéditas, de temáticas diversas, como deja vus dos anos 80 (Glory of The 80s) ou a dor da despedida (1000 oceans), mas unidas através de uma sonoridade mais eletrônica e etérea, se comparada à do Choirgirl. Tempos depois de lança-lo, Tori sofreu um último grande golpe em sua vida pessoal, numa situação extremamente delicada: ela trabalhava com uma orquestra na composição de duas músicas para o filme Great Expectations (uma delas é a urgente Siren), e começou a ter um leve sangramento que não estancava. Com o término dos trabalhos, foi levada a um hospital e acabou descobrindo que se tratava de seu terceiro abortamento. Recebida a alta hospitalar, ela teve ainda de cumprir com agenda de compromissos a "pedido" da gravadora, e pôde então ir com seu marido descansar em sua casa na Flórida, tentando assim levar uma vida normal por algum tempo. Amos descreve em sua biografia (Piece by Piece, 2005) que nesse período, fazia longos passeios pela praia e num deles, entrou numa espécie de ritual e perguntou à Mãe-Terra o porquê de ter perdido seus filhos. Segundo a própria, a resposta dada pela Terra foi de que ela mesma perdia milhares de filhos, todos os dias, e tinha de suportar a dor também. Desse período menos atribulado e de contato mais íntimo com a essência materna, nasceria uma obra prima, o Scarlet's Walk, bem como sua filha de carne e osso, Natashya Hawley.



Em setembro de 2000, nasce Tash, e com ela, um conexão maior com as origens de sua mãe: dona Mary Ellen Amos é descendente da tribo norteamericana Cherokee, uma das muitas que foram dizimadas e/ou não tiveram seus direitos humanos respeitados pela voracidade dos colonizadores, que se estabeleceram no atual território dos EUA. Dessa maior conexão surgiu uma necessidade de "fazer justiça" a essas tribos, o que gerou o embrião do Scarlet's Walk. Antes dele, porém, Amos precisava lançar mais um disco com sua gravadora à época, Atlantic Records, e como sua relação profissional com os dirigentes da mesma só ia de mal a pior desde 1998, ela não queria que suas novas composições fossem veiculadas a eles. Dessa forma, a cantora gravou um disco de covers, o Strange Little Girls, no qual re-trabalhou canções compostas por homens, numa perspectiva feminina. Desse disco, temos um cover pungente de Bonnie & Clyde, do Eminem, bem como interpretações emocionantes para Rattlesnakes, composição de Lloyd Cole, e Real Men, de Joe Jackson.

Passadas as obrigações contratuais, ela se veiculou a um novo selo e finalmente planejou o lançamento de seu novo disco. Scarlet's Walk não só tenta dar voz às tribos e grupos indígenas dizimados em território norteamericano, mas também recobrar a identidade de um Estados Unidos extremamente ferido pelo atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Isso fez com que Tori se pusesse no papel de Scarlet, uma heroína que iria, viajando de carro, visitar todo o país, encontrando em seu caminho figuras típicas deste mundo para, através disso, encontrar a si própria, sua identidade. O que se vê nas 18 canções deste romance sônico (palavras de Amos) é basicamente uma garota envolvida em relacionamentos difíceis evoluir até se tornar uma mulher consciente e capaz de distinguir com mais clareza quais coisas importam (e quais não) em sua vida. Deste passeio, surgem pérolas como A Sorta Fairytale (maior hit da carreira de Tori), Carbon, Pancake, Taxi Ride e Gold Dust, aquela que, sem dúvida, é uma das melhores músicas compostas pela pianista. Scarlet's Walk marca uma fase nova em sua carreira, baseada em álbuns conceituais e mais políticos; invés de tratar somente de conteúdos íntimos e de sua psique, através da maternidade a cantora passou a demonstrar em suas composições mais consciência acerca também do mundo de fora. Tori afirmou à época que ter Tash em seus braços lhe deu uma completude que nunca havia sentido antes, e é inegável a influência da maternidade nos rumos de sua carreira.



Em 2005, Amos lança seu 8º disco de estúdio, The Beekeeper, criando seis linhas temáticas as quais chamou de Jardins. O disco denota outro aspecto curioso de seus futuros lançamentos: praticamente todos teriam, a partir de agora, mais de 70 minutos de duração, fato este que acabou gerando críticas à cantora, sobre a coerência de seus trabalhos. De uma forma ou de outra, este é um disco suave, inovando com a presença do órgão Hammond em sua composições, e que toma como centro para sua construção os textos dos Evangelhos Gnósticos, os quais apontam Jesus e Maria Madalena como sendo um casal. Isso acaba tendo uma ressonância feminista, já que ao alavancar a importância da discípula a par do Cristo, a mulher passava já naquela época a ter um papel de igual para igual ao homem; além disso, tudo o que na Madalena seria considerado profano poderia se entrelaçar e equilibrar-se com o divino (na figura tanto da Maria Mãe como do próprio Filho de Deus). Dois eventos da vida íntima de Tori também se fazem presentes no álbum: o acidente cardiovascular sofrido por dona Mary Ellen, deixando-a à beira da morte, e a morte de seu irmão mais velho, Michael Amos, pouco depois de sua mãe já estar recuperada. O disco acabou tratando também da dança constante entre a morte e a vida, e os dois episódios acima citados ficam mais aparentes, respectivamente, nas canções The Beekeeper e Toast.

Dando continuidade aos discos conceituais, Amos decide que em 2007 suas linhas temáticas não seriam marcadas por jardins, mas sim por "garotas". As dolls seriam 5 personagens que dividiriam os vocais, opiniões e sentimentos expressos em American Doll Posse, título sugestivo por lembrar a palavra Pussy (b*ceta, em inglês hahaha). Isabel, Clyde, Pip, Santa e Tori (sim, a própria) seriam desmembramentos da personalidade da pianista, cada uma inspirada por uma divindade do panteão grego, e assim cantariam sobre política, desilusão, revolta, sensualidade e amor, de maneiras diversas. Além de emplacar canções que já se tornaram clássicas para os fãs, como Big Wheel, Bouncing Off Clouds, Almost Rosey, Body and Soul e Beauty of Speed, a turnê deste disco teve um quê a mais, já que toda apresentação foi aberta por um set de 5 a 6 músicas de uma das dolls, antes de Tori entrar para o set principal. Se Scarlet's Walk foi o projeto temático mais ambicioso da pianista, sem dúvida American Doll Posse é o mais ambicioso visualmente, já que o cuidado com a caracterização de cada uma das personagens é patente e funcionou bastante com o público.



Após o exacerbo conceitual que foi o ADP, Tori decidiu fazer um disco que soasse mais como uma coleção de canções mesmo, no qual exploraria as relações de uma personagem feminina com o poder e a opressão. Mesmo sendo um terreno familiar para a cantora, Abnormally Attracted to Sin soa de forma distinta dos outros trabalhos, pelo uso de teclados eletrônicos e novas influências, como o trip hop em Give, ou o formato "balada clássica com cordas", a exemplo de Maybe California. Ainda que Abnormally... já tivesse se afastado um pouco da noção de "conceito", as dolls ressurgiram em gravações que originaram vídeos para 16 das 17 faixas do disco; os visualettes vinham acompanhando a edição especial do CD, e neles vemos as cinco personagens em situações diversas. No mesmo ano em que lançou o AATS, 2009, saiu também o primeiro disco de Tori de caráter natalino, ainda que ela tenha insistido em afirmar que era um álbum em homenagem aos solstício de inverno, não exatamente à data cristã. Midwinter Graces é um álbum singelo e acolhedor, mas sem grandes destaques musicais, a exceção de canções como Star of Wonder, Snow Angel, Pink and Glitter (na qual Tori se aventura no universo das Big Bands) e Winter's Carol, canção esta extraída do musical no qual ela trabalha desde 2008, The Light Princess (nome provisório).

The Light Princess é uma peça musical derivada de um conto de fadas homônimo, escrito por George MacDonald. Tori tem trabalhado na composição e montagem do espetáculo há alguns anos, e no momento ele está engavetado sem previsão de lançamento. Mesmo nessas condições, ter assumido o esforço de escrever a peça serviu para o próximo passo tomado pela pianista em sua carreira: escrever um ciclo de canções de música clássica, usando a estrutura de um octeto e tomando como base para as novas canções peças eruditas de compositores como Chopin, Mendelssohn e Debussy. Night of Hunters foi lançado em 2011, garantindo a Amos não só boa recepção da crítica, mas também um prêmio Echo e sua primeira tour acompanhada de músicos do universo clássico (no caso, um quarteto de cordas). Algumas das faixas do álbum já são consideradas tesouros da compositora Tori, como Shattering Sea, Star Whisperer e Carry, e deram caminho para seu projeto mais recente, a coletânea Gold Dust.



A ser lançada em outubro deste ano, Gold Dust comemora os 20 anos de lançamento de seu primeiro álbum, Little Earthquakes, e é composto de 14 regravações acompanhadas de uma orquestra sinfônica, a Metropole Orchestra. A ideia do disco surgiu em 2010, quando a cantora promoveu um show em companhia da mesma orquestra, e sentiu a necessidade de registrar em estúdio o trabalho que desenvolveram juntos. Como já estava programado o lançamento do Night of Hunters, ela decidiu que só lançaria a nova coletânea no ano seguinte, vindo a calhar com suas duas décadas de produção artística solo.

Tori Amos demonstrou durante toda sua vida produtiva uma capacidade única de transformar situações opressivas e dolorosas em pequenas pérolas, pérolas estas que juntas, formam um dos colares mais belos que um artista poderia ostentar. E o mais importante de sua mensagem é exatamente isso: se você deseja cura, precisa ir fundo no que está errado, beirando a loucura se preciso, para enfim chegar a uma solução. O que melhor define seu espírito, como compositora, musicista e até pessoalmente é exatamente a força de enfrentar tudo para, com justiça, fazer as coisas voltarem a seu lugar.

E este é só um dos motivos para a ela admirar. E amar <3



“I see the dream and I see the nightmare, and I believe you can’t have the dream without the nightmare.”

- T.

sábado, 18 de agosto de 2012

Quais são os outros sentidos?

Vivemos num mundo em que a informação visual conta ao extremo. Mas o que vemos nem sempre é verdadeiro. O que vemos às vezes engana mais que esclarece, mesmo quando vislumbramos um anjo de luz à nossa frente... E quando a visão falha, ou ela não nos serve de nada, é preciso lembrar que a mais a sentir.

Sempre há mais a sentir do que somente o que os olhos tem a iludir.

Pelo que sente

Meu coração é azul
Azul do céu mais escuro,
Aquele que não se vê
Do céu mais puro e profundo,
Fundindo-se no universo
Sem uma razão porquê

Extensão,
Não se vê

Meu coração é um breu
Onde vagamos, eu e você
Sentimentos e razões
Que não são de ninguém
Só não nasceram,
Não nasceram para morrer

Mesmo escuro,
Nada a temer

Pois do ausente roubei esta cor,
Este azul de anoitecer
Onde não surgem estrelas,
Ainda que exista beleza,
Completamente escondida
De sua pobre visão

Pois digo, são outros, amigo...
São outros os certos sentidos
Levando a meu coração

Sinta-os em minha mão
(Escura)
Sinta o meu coração




"A voice, if inaccurate"

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Em honra ao 55 anos de Madonna!

NOTA: O texto foi escrito originalmente em 2012, mas recebeu um update nas informações referentes a 2013, afim de comemorar os agora 55 anos da Rainha do Pop!

Hoje é aniversário da Madonna.
Hoje ela completa 55 anos de vida.
55 anos dos quais mais de 30 foram dedicados à sua carreira artística.
Carreira esta que rendeu a ela vários prêmios, de Grammys até Globos de Ouro, mais de 300 milhões de disco vendidos, "muita polêmica, muita confusão" (rs), milhões de fãs enlouquecidos e o mais importante, uma voz capaz de levantar até hoje questões relevantes sobre o modus operandi doentio de nossa sociedade. Sua genialidade, no entanto, vem do fato dela sempre ter representado o veneno e a cura. Madonna nunca teve intenção de ser uma artista gratuita.

Desde 1983, quando lançou o primeiro disco, "Madonna", ela deixava claro a necessidade que tinha de ter poder. Disse na época que seu objetivo era "Dominar o Mundo", e considerando o teor frívolo e doce de suas músicas até então, não daria para se esperar tanto dessa garota que veio de Michigan para NY, tentando a duras penas alcançar o sucesso. Quando lançou seu segundo disco, porém, as coisas se tornaram GRANDES e este tão almejado sucesso bateu à sua porta, na forma de seu primeiro hit esmagador, Like a Virgin. Foi com essa música também que, no VMA, a cantora cravou sua primeira polêmica: vestida de noiva, desceu de um bolo de casamento imenso e ao perder um dos sapatos no meio da performance, deitou no chão, rolou, mostrou a calcinha e deixou todo mundo estarrecido com sua ousadia! Essa parece ter sido sua primeira polêmica gratuita... Mas foi a última.



Logo em 1986, Madonna lança o primeiro disco em que teve participação total na produção. True Blue não só trouxe à tona alguns dos maiores sucessos da cantora (Open Your Heart, La Isla Bonita, Live To Tell), como também mostrou que ela agora tinha algo mais sério a dizer: em Papa Don't Preach (música e vídeo), Madonna interpreta o papel de uma adolescente que se apaixona, perde a virgindade e acaba engravidando. Ela pede ao pai na letra que não a passe um sermão pelo feito, emendando com uma decisão já tomada: ela ficaria com seu bebê. Grupos anti-aborto pediram que ela usasse a música como um meio de defender esta causa, mas a cantora resumiu-se a dizer que era a favor da vida e preferiu não tomar partido. O uso do termo Papa também não foi aleatório: ficou claro na turnê que deu suporte ao disco, Who's That Girl Tour, que usá-lo serviu como uma metáfora ao pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana, uma vez que na performance da canção projeções dele surgiam no palco, concluindo-se com a expressão SAFE SEX. Começava-se enfim a criação da mistura bombástica de religião e sexo, algo que Madonna sempre soube fazer bem o suficiente para explodir!

Em 1989, é lançado um de seus discos mais marcantes: Like A Prayer. Sendo puxado pela misteriosa canção-título, na qual a cantora confunde o ouvinte se está falando sobre o êxtase espiritual ou a sensação do orgasmo (ou ambos), Madonna sinaliza aqui para suas próprias confissões. Nascida e criada numa família católica e conservadora, e tendo perdido sua mãe quando tinha somente cinco anos, havia aí questões e temores que começaram a ser explicitados nas 11 canções componentes de Prayer. Desde a melancólica Promise To Try, na qual disseca a saudade que sente da presença materna, até a contundente Express Yourself, hino de autoafirmação feminina e gay (honrosamente um dos maiores públicos de Madge), Madonna já demonstrava maturidade artística e finalmente estava se usando das canções para expurgar seus próprios demônios... O próximo passo, enfim, seria expurgar aqueles que povoam a sociedade.

Logo após o estrondoso sucesso de Vogue, seu maior hit, e da Blond Ambition Tour (1990), de onde saíram performances inesquecíveis, como a de Like A Virgin, Madonna estava pronta para assumir riscos ainda maiores, e tratar à exaustão um dos temas mais espinhosos ao ser humano (ainda que lhe seja completamente natural): o SEXO. Erotica foi lançado em 1992, e mesmo com muitos pensando ser este só um disco com canções explícitas, ele na verdade vai fundo nas nuances mais diversas da sexualidade humana. Além do sadomasoquismo da faixa-título, são tratadas neste disco questão como submissão sentimental (Bye Bye Baby, Waiting), vazio existencial (Bad Girl), falhas de comunicação (Words) e até amor, do tipo mais gentil (Rain). Coube espaço também para um relato melancólico em honra de dois grandes amigos mortos por AIDS, na canção In This Life, bem como um hino pela liberdade, Why's It So Hard. Infelizmente, o álbum foi subestimado e ofuscado pelo lançamento do Sex Book, um livro no qual a intérprete M se mostra em situações extremamente lascivas e até pornográficas, mas com uma razão além da dita autopromoção: Madonna sempre explicitou durante toda a divulgação de ambos projetos que seu objetivo era questionar tabus, e fazer com que as pessoas repensem o porquê de tudo aquilo ser considerado "sujo e vulgar", se todos fazemos ou pelo menos pensamos em sexo, vez ou outra, vez em sempre. Mesmo que sua imagem tenha sido ferida aos olhos de muitos norteamericanos, a cantora organizou uma tour riquíssima em significados e arte, The Girlie Show, que visitou vários países, inclusive o Brasil, em meados de 1993.



Passada toda a polêmica envolvendo esta fase da carreira, a cantora decidiu fazer trabalhos de sonoridade mais íntima, e foi o caso de Bedtime Stories e a coletânea de baladas, Something to Remember. Mesmo num ritmo mais tranquilo, ela conseguiu emplacar grandes sucessos (I'll Remember, Take A Bow, Secret, You'll See), e não deixou de alfinetar aqueles que não entenderam sua mensagem no Erotica, através da canção Human Nature ("I'm not your bitch, don't hang your shit on me"). Foi pouco depois desses lançamentos que ela conseguiu seu grande êxito como atriz: Evita. Marcado pela canção Don't Cry For Me Argentina, o filme rendeu a ela um Globo de Ouro como melhor atriz em comédia e musical, bem como garantiu o treinamento vocal necessário para a maior virada de sua carreira: o iluminado Ray Of Light.

Durante as gravações de Evita, Madonna descobriu-se grávida, e ao ter sua filha, Lourdes Maria, em seus braços, sentiu-se renovada como ser humano. Junte a isso o início de seus estudos na doutrina da Kaballah, marcante até hoje em seus trabalhos, e a essência do Ray of Light já existia. Madonna, porém, teve dificuldades em encontrar quem a ajudasse a dar forma musical ao disco, e depois de muito pelejar, encontrou o piradinho produtor inglês William Orbit, responsável por fazer de suas canções "uma ousada mistura de trance, trip-hop, drum'n'bass, pop e belos arranjos orquestrais", palavras da própria. O disco foi um sucesso arrebatador de crítica e público, fazendo com que finalmente a opinião pública fosse unânime: Madonna era de fato uma artista, não somente uma máquina de fazer dinheiro, como muitos ainda alardeavam à época. O álbum rendeu a ela 4 grammys, clássicos como a faixa-título, Frozen e The Power of Goodbye, ao mesmo tempo que deu aos fãs um disco que ainda soa rico e atual, mesmo depois de quase 15 anos de lançamento.

Agora que Madonna tinha sofrido uma completa mudança em sua carreira, qual foi o passo seguinte? Declarando que a vida seria uma droga se fosse profunda e feita de provações o tempo todo, sua decisão foi por lançar algo que misturasse a introspecção anterior com sua verve mais divertida e frívola: disso nasceu Music. A cantora estava também em um ótimo momento da vida pessoal, já que casara com o cineasta Guy Ritchie e do relacionamento, tinha nascido seu segundo filho, Rocco; tudo isso fez com que Music tivesse desde canções extremamente apaixonadas e entregues, como Impressive Instant, Amazing e Don't Tell Me, até outras mais tristes e reflexivas, como Paradise (Not For Me) e Gone. Do disco, porém, o grande destaque foi para a faixa que deu nome a ele, Music: simples e certeira, foi seu primeiro number one na Billboard Hot 100 em 7 anos! Ao dizer no refrão que "a música faz as pessoas se juntarem; a música mistura a burguesia e o rebelde", Madonna ditou sabiamente a principal sensação vinda dessa e de outras artes: a de pertença, de que sempre há algo ou alguém que nos reflete, lá fora.



À medida que sua popularidade voltava ao topo, a cantora via uma guerra se formar. Após o gravíssimo atentado de 11 de Setembro de 2001, responsável pela derrubada das Torres Gêmeas de Nova York, os Estados Unidos estavam dispostos a destruir a organização terrorista responsável pelo episódio, e mandariam assim tropas do exército para o Afeganistão, atrás do hoje morto Osama Bin Laden. Como muitos outros artistas que decidiram tratar do tema e alertar sobre os riscos que a guerra traria, Madonna se debruçou na composição de um dos seus discos mais refinados e políticos, American Life. Talhado com o objetivo de criticar a sociedade norteamericana, bem como tratar de questões mais pessoais (à semelhança do Like A Prayer), a música que nomeou o disco foi escolhida como primeiro single e veio acompanhada de um dos clipes mais corajosos já lançado pela cantora. American Life mostrava cenas de um desfile de moda na qual primeiro passavam pela passarela modelos vestidos em temática militar, para depois começarem a surgir pessoas mutiladas, mulheres pegando fogo e crianças sendo arrastadas. A plateia acompanhava as desgraças da guerra em frenesi, e Madonna então entrava num tanque e soltava uma granada nelas, como uma crítica feroz à sociedade em que vivíamos e ainda vivemos. Foi um passo bravo, mas extremamente mal interpretado. Norteamericanos consideraram a atitude profundamente desrespeitosa com os militares que já estavam em combate, bem como uma afronta à nação estadunidense; na tentativa de suavizar as críticas, a cantora decidiu censurar o vídeo e declarar que sua intenção era alertar, não desrespeitar... Não foi o suficiente. O álbum não deu continuidade aos êxitos passados nos EUA, mesmo tendo sido bem recebido no restante do mundo. Madonna então teve de apelar para uma tour de seus maiores sucessos como forma de apaziguar as críticas, a saudosista Re-invention Tour, e para sua próxima era, decidiu que precisaria de uma mudança total, mais uma vez. Brotava assim o Confessions On A Dance Floor.

Puxado por Hung Up, seu maior hit mundial nos anos 2000, o disco de 2005 trazia uma Madonna voltada completamente para a pista de dança! Com influências diversas da dance music (ABBA, Donna Summer, Pet Shop Boys...), criou-se o álbum numa sonoridade europop ditada por Stuart Price, produtor inglês que já trabalhava com ela em turnês desde 2001. Confessions foi considerado pela crítica um retorno à forma, e veio acompanhado de sua tour mais sofisticada, tanto sônica como visualmente, a Confessions Tour! Mesmo sendo esta uma era completamente disco, o momento mais marcante do show não nasceu das músicas dançantes: foi a interpretação de Live To Tell que chamou atenção ao espetáculo, causando a polêmica mais sem sentido de sua carreira, uma vez que a mensagem trazida pela performance suprime qualquer tentativa de maculá-la. Madonna volta para o segundo bloco do show numa cruz completamente espelhada, e enquanto canta a primeira parte da música, uma numeração corre no telão acima dela; ao chegar em 12 milhões, revela-se que esta era, em 2006, a estimativa do número de crianças africanas que em 2010 estariam órfãs de pai e mãe, por conta da pandemia de HIV/AIDS sobre o continente. Ao terminar com uma citação bíblica de Mateus 25:40, a cantora entrega ao público talvez a performance mais emocional e poderosa de sua carreira. Nesse período ela também voltou esforços para dar assistência ao Malauí, um pequeno país africano extremamente afetado pela AIDS, e local de nascimento do primeiro filho adotado pela artista e seu marido Guy, David Banda.



Mesmo com todo o êxito do Confessions, Madonna não teve de volta a popularidade de anos passados nos EUA. Ela decidiu então que seu próximo álbum seria dedicado a fundir as tendências black vigentes ao seu tradicional pop, e dessa fusão nasceu em 2008 o Hard Candy. Associada a Timbaland, Justin Timberlake, Danja Hills e Pharell Williams, o disco inicialmente se chamaria Give It 2 Me, e o ensaio de divulgação seria baseado em uma nova personagem, a boxeadora M-Dolla. De última hora, Madonna decidiu que deveria mudar o título, afim de sinalizar que a sonoridade do novo trabalho seria como morder um doce duro: seus dentes quebrariam, mas você gostaria do sabor. Pelo menos para o carro-chefe do disco, 4 Minutes, a proposta deu certo: a música alcançou o 3º lugar na Billboard Hot100, feito este que não se repetiu para os outros singles. Mesmo não tendo sido uma unanimidade de público e crítica, Hard Candy gerou uma constatação e um bom fruto: a constatação era de que o casamento da cantora já não ia tão bem, uma vez que em letras como as de Voices e Devil Wouldn't Recognize You, o desgaste era aparente. O bom fruto foi a Sticky and Sweet Tour, segunda incursão a passar pelo Brasil, que ao arrecadar mais de 400 milhões de dólares, deu a Madonna a turnê de um artista solo mais bem sucedida da história. Vale lembrar que durante a tour, o divórcio de Madonna e Ritchie foi anunciado, fato este crucial para o seu álbum mais recente, MDNA.

Em 2009, além de retomar a Sticky and Sweet Tour para mais datas europeias, foi lançada a coletânea Celebration como último requisito contratual com a Warner, sua gravadora desde o começo da carreira. Ela lançaria seu novo álbum já sob outro selo, mas isto demoraria um pouco, uma vez que até 2011 Madonna esteve imersa na produção e divulgação de seu longa metragem, W.E. Além da adoção de mais uma criança africana, a menina Mercy James, ela foi motivo de fofoca por seu envolvimento com homens mais novos, dentre eles o brasileiro Jesus Luz e Brahim Zaibat, seu atual namorado. Finalmente em 2012 Madonna volta ao mundo da música, primeiro com uma canção retirada da trilha sonora de seu filme, a balada ganhadora do Globo de Ouro Masterpiece. A divulgação de seu novo trabalho começaria de fato com a apresentação feita no intervalo do Super Bowl, a qual deu a Madonna o recorde de Maior Audiência Televisiva nos EUA, e foi através desta performance que seu novo single foi apresentado, Give Me All Your Luvin'. MDNA, um álbum dotado de canções ora furtivas, ora sobre o divórcio recente, rendeu até o momento mais dois singles, Girl Gone Wild e Turn Up The Radio, e mesmo não sendo esta a fase de maior êxito em charts, já ficou marcada como uma das mais politizadas e polêmicas. A cantora, então aos 53 anos, estava mais sensual do que nunca e não demonstrou interesse em aceitar o rótulo de "velha demais para o pop". A última batalha travada por Madonna está sendo contra o "ageism", preconceito com pessoas mais velhas, e isso a fez mostrar os mamilos e as nádegas durante performances de sua atual turnê, a MDNA Tour, bem como apresentar um vídeo arrebatador para a canção Nobody Knows Me, como intervalo de seu show. Neste vídeo, há críticas ferrenhas também a machistas, homofóbicos e políticos de extrema direita, como é o caso de Marine Le Pen. Seu último feito foi criticar duramente o governo russo por ter prendido o grupo Pussy Riot após protesto em capital russa, bem como falar abertamente contra a lei antipropaganda gay de São Petersburgo.



UPDATE: 2013 começou com grandes novidades e expectativas altas em torno de M, tanto pela MDNA Tour como por uma empreitada assumida por ela e o fotógrafo de moda Steven Klein. A turnê lucrou estrondosos 305 milhões de dólares, tornando-se assim a 10ª excursão musical mais lucrativa de todos os tempos; a revista Billboard, inclusive, conferiu à artista o prêmio de tour do ano, dedicando-a uma extensa homenagem no Billboard Awards (veja o vídeo AQUI). Já a empreitada trata-se do #SecretProject, que vem atiçando a curiosidade dos fãs desde que em dezembro do ano passado a cantora foi vista com seus dançarinos, entrando num estúdio fotográfico enquanto fazia shows na Argentina. A data de lançamento do projeto já foi adiada e, por enquanto, se resume a teasers lançados no Instagram da própria Madonna, além de dois trailers que só aumentaram a ansiedade pelo que vem por aí!

Fazer esta retrospectiva teve por objetivo único trazer à tona toda a riqueza que existe por trás de uma das carreiras mais sólidas e bem sucedidas da música popular mundial. Madonna pode não ser a melhor cantora nem ter as composições mais complexas em seus discos; isso não significa, porém, que sua música seja descartável e muito menos sua história, marcada por um dever quase militar em servir à plena liberdade de expressão. Um dos versos mais marcantes já cantados por ela é "Express Yourself, Don't Repress Yourself". E honestamente, se tivesse de resumi-la em uma palava, eu escolheria EXPRESSÃO. Disso ela entende realmente bem.

Parabéns, Madonna, pelo aniversário de 55 anos!
Como seu fã, só me resta lhe dar todo meu amor. Todo meu amor <3


"Life fits living, so let your judgements go! That's how our future should be"

sábado, 4 de agosto de 2012

"O pagador de promessas"

"'Cause all of the stars are fading away
Just try not to worry, you'll see them some day
Take what you need and be on your way
Stop crying your heart out"


O pagador de promessas

É como se não sobrasse poesia,
Só um relato incolor
É como se eu visse o mais pálido,
O mais pálido de minha cor

É como se me devorasse,
Com alma de uma serpente
Como se fosse uma presa,
Presa em ser suja e demente

É como se algo apagasse,
Sempre que acendesse a luz
Assim, que perdesse o sentido
Quando arrancado o capuz

Mas sei, eu preciso acordar,
Preciso ir trabalhar
Preciso ter todo a riqueza
Que vai me tirar desse lar
Pois eu quero me mudar
E não tenho mais anos p’ra dar
Já não me conte seus sonhos,
Só eles não fazem brotar
Eu quero somente seus braços,
Vontade de me levantar
Que sua mão me agarre,
Me tire desse mal estar
Pois em sua guia eu confio,
Você quem prepara meu chão
Não piso em cacos de vidro
Nem nestas migalhas de pão
Recobro esta pouca esperança
Naquilo que é seu e eu sei:
Se hoje sou um miserável
Amanhã, quem sabe, sou rei

E isso me faz acordar,
Preciso ir trabalhar
Guardar-me de nossa pobreza
Até nada mais nos matar
E só ardermos de amar

Estrelas ardendo,
De amar


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Antes de ser mais normal"

Não é difícil nos pegarmos pensando que somos alvos de um julgamento constante, e esse paranoia coletiva até pode servir para uma sociedade, mas nem sempre faz bem a um indivíduo. Em parte, viver com essa impressão mostra como queremos ser notados... Ninguém se encheria de cuidados se não quisesse causar uma boa impressão.

A única certeza que existe é: o show acaba. E quando acabar, seremos tão especiais como julgávamos ser? E aqueles que amamos, serão também? Dessas interrogações nasceu o texto de hoje...

Antes de ser mais normal

Você não sabe onde ir
Você até finge que sim,
Mas não sabe onde ir

E estou aqui, de mãos atadas,
Vendo sua perdição
Aproximar-se em passos miúdos,
Quase imperceptíveis
Chegando aos segundos,
Chegando em migalhas,
Perdendo o que havia,
Perdendo de tudo

Estou a ponto de chorar,
Mas não cai uma lágrima
Incrível como a vida não é um show,
Parece até insuportável
Reconhecer o tempo que perdemos
Pensando dessa forma
E já que nem eu nem você
Podemos com o futuro,
(Ainda que o vejamos ao longe)
Que reste a falsa impressão de que
Temos opção...

Não,
Não existe outra opção

E eu vou lhe amar pelo tempo que der
Honrarei seu amor da forma que der
Prometo estar por perto,
Pois você ainda é especial
Mesmo que até isso se perca,
E você, de repente, se torne normal

Ó, meu amor,
Seja especial

Seja isso tudo
Antes de ser mais normal




"I thought you were special... Ah a-a-a-ah"