quinta-feira, 26 de maio de 2011

"Inconsciência"

Existe satisfação na dor? Pode existir... O prazer e a dor parecem-me extremos da mesma coisa, de nossos sentidos. E quando você perde um pouco de sua consciência, neste justo divisor de águas, talvez se confunda dor com prazer. Por isso, acho que por isso, este texto se chama "inconsciência". Sobre o que se descobre, quando em inconsciência.

Inconsciência

Gentilmente,
Sinto uma parte de você
Dentro de mim
E seu movimento me machuca,
Machuca-me com tanta doçura
Que, nisso,
Existe prazer
Você age como meu dono,
O dono a quem possuo,
E eu sou seu sujeito,
Seu desejo mais obtuso
É gentil a forma de me tratar,
E de me permitir chegar...
De ter receio em continuar,
Quando sabe que eu alcancei
O estado de não mais pensar

Onde é bom estar...
Não pensar

Talvez,
Nesse momento,
Você seja capaz de me captar...
Num rosto de olhos virados,
Sobrancelhas quase cerradas
E têmporas arroxeadas,
“Viole(n)tadas”,
O que escondo consegue fluir
Ao nada de sua consciência
Hedonista e encantada
Nesses segundos,
Você ocupa um espaço discreto
Onde não existem palavras
Mas não se confunda,
Por este não ser meu mistério
Ou segredo...
Meu lugar secreto
Sou eu mesmo

Só não tenha medo

(Não lhe quero mal)
Não tenha medo




"But the darkest pit in me is Pagan Poetry."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sobre se esconder - "Alguém"

Olá, pessoal!

Hoje decidi postar um texto antigo, acho que de 2009, e que trata simplesmente de segredos. Acredito que qualquer um de nós encontra satisfações nas coisas que decide fazer, independente se elas nos farão bem ou não. E se esconder do mundo, até de si, é uma perda de tempo, ainda que, de alguma maneira, isso se torne viciante. É justo este vício que tento retratar em "Alguém". Alguém que se perde de si; torna-se apenas "alguém".

Alguém


Certas coisas jamais serão vistas
Não estarão prescritas em sua testa,
Como se fossem uma bula,
Capaz de alertar sobre
As curas e perigos
De sua natureza colateral...
Sim,
Minha criança,
É natural

Certas coisas exigem
Uma hipocondríase tremenda
Para serem notadas,
E delas tiramos
As lições mais sagradas
Deus quem as povoa,
Sem o cinismo
De fingir ser
Uma pessoa menos datada

Somos todos pessoas datadas

E eu acredito
Naquilo que é visto,
No que é perdido,
E em coisas que nunca
Se permitirão
Encontrar um caminho
Não importa se a culpa
É minha ou deles,
Mas todo o segredo
Tem um charme decisivo
Para mantê-los
Consigo

Por isso guardamos
Até omitimos
Segredos são intensos
Demais
Para não querê-los
Consigo

(Comigo)

Consigo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"O suave tecido dos lírios"

A capacidade de adentrar, ser penetrante, sempre me seduziu. E não sei se tomei isso para mim como uma vontade, ou se é de fato um traço de personalidade, mas de alguma forma sempre me senti nessa posição. Pode ser ilusão, eu posso simplesmente me manter dentro de mim mesmo quando estou dentro dos outros... Mas enfim, pensar assim me faz divagar sobre quem sou, quem quero ser, ou já quis.

O mais surreal da minha experiência foi ter percebido que minha condição penetrante soa completamente paradoxal. Porque eu acabo me adaptando às pessoas e circunstâncias, dou espaço para elas me dizerem o que souberem de si. Nessas horas, nem sei se me perdi. Mas é algo que ainda guardo aqui.

Penetração ou adaptação? Esse é um movimento sem fim?

"O suave tecido dos lírios"


É líquido

O que escorre,
É líquido
Assim vai a alma,
Volta a si,
Como o líquido mais vasto e contido
Como ser vasto e contido?
É líquido

Aos poucos,
Evapora
Etérea é a forma dos sonhos,
Por isso,
Evapora
Mas sonhos,
Vertidos em realidade,
Nunca são perfeitos
Acreditar que serão é decepção?
Algo me diz que pessoas vivem
Em seus sonhos
Porque só neles
São líquidos

É líquido
Não sólido

E me atenta
O líquido,
Ainda que seja
Sólido nosso coração
Por mais que quisesse
Em solo
Me transformar,
Ser líquido
Faz de meu desejo
Um impenetrável
Penetrar
E assim me quero
Assim me adoro
Como líquido,
Diamante,
Dou-me valor,
Acho-me glório

Então,
Beba-me,
Amor
Antes de ser um homem,
Seja maior,
O amor!
Por ser líquido
O que me pertence,
E a você
Eu pertencer...

De quem?
De quê?

(É líquido...)

Para quê?

domingo, 15 de maio de 2011

"Continuidade" - sobre nós, os cidadãos do mundo

Confunde-me um pouco pensar em como as várias realidades humanas congregam-se em torno de um mundo só. Somos tantos, e não só em número, mas nas diversas maneiras de se expressar e se buscar durante a vida. Dentro de uma cidade existem diferenças gritantes. Dentro de um bairro também... Até dentro de uma casa, dentro de um dito lar, as pessoas podem divergir em seus interesses a ponto de que a solução e torná-la duas. Dois em um... Um em dois. Normalmente, uma situação dura.
Confunde-me ainda mais pensar que o conflito é mais interior que exterior, e que às duras penas vou assumindo meus esforços em ser íntegro e justo, enquanto vejo pessoas que não dão importância a essas coisas, que digo. Digo que não dão importância porque o conflito é algo instintivo. Não se foge dele, apenas se esquece para depois ele voltar, incontido. Mas como nos fazer unidos? Como juntar partes e, mais importante, fazer com que elas se coordenem e se tornem úteis, dentro da cidade, dentro do bairro, dentro da casa ou somente de si?
Perceber que o mundo é contínuo em relação a nós mesmos, eu aposto nisso. Perceber que de nossos segredos eles podem não saber, mas no íntimo sentem, e quando você menos espera, vê que todos puderam também ver. Acreditar que a verdade é o melhor caminho, e começar a conhecer alguém pelo que você considera haver de similar entre vocês. Talvez se partíssemos do fato de que todos somos seres humanos, e como seres humanos apresentamos infinitas formas, mas conteúdo parecido, pudéssemos encontrar o que há de proximidade entre aqueles que estão conosco. Os que estão comigo. É boa a ideia de andar pelas ruas do mundo imaginando o quanto cada lugar tem um pouco de nossas virtudes e vícios. É justa a ideia de andar pelas ruas do mundo e reconhecer que, no mais íntimo de mim, há um pouco daquilo tudo que vejo, provo, ouço... Sinto. Antes de não entender uma língua, entender uma voz. Antes de destinar uma sina, surpreender-se quando o rio chega em sua foz. Antes de amar sua vida, amar a vida de nós. Pois nós somos nós. Antes de seu eu se afirmar como eu, você foi nós.
Mas não é uma solução o que falo, não quero que seja isso. A solução está em viver, e aprender algo com isso. Espero não estar errado, ainda que seja meu risco... Quero ser cidadão do mundo, entendê-lo como seu filho.

Continuidade

(Para os cidadãos do mundo)

E por mais diferente que seja
O aspecto onipresente,
O mundo de lá de fora é uma
Extensão
Do mundo da gente
Vejo em fotos,
Em olhos
No que me mostram,
Inconscientes...

O mundo de lá de fora é uma extensão do mundo da gente

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O ceticismo

Uma dos sentimentos mais patentes a circundar um momento ruim é a descrença. Você se torna uma pessoa cansada, doente, incapaz de tirar motivação de nada, puramente nada. Descreditar a roda da vida, atribuindo estagnação a tudo, é outro sintoma de que as coisas estão ruins... Você acaba deixando-se de lado, e, como acredito já ter dito, o mundo trata de fazer as mudanças que se deveria controlar... Ou, pelo menos, tentar.

Estes dois textos tratam de forma sucinta de quando eu me vi desacreditado perante às circunstâncias. Não são textos exatamente tristes, são mais céticos, incapazes de encontrar em si próprios razão para continuar de pé. De qualquer forma, a morte é acompanhada do ceticismo, independente de que morte falamos, de que sorte estamos perdidos. É isso.


Papel branco


Enquanto os sinos tocavam
E a estrada andava
Sobre este carro vermelho,
Pensava em quanto
Os tortos sinais de lá
Não indicam caminho algum,
Já que o amarelo apenas
Chamava a atenção
De tais donos,
Em sua egoísta nobreza
Acho que a estrada
Ainda corre sobre nossos
Veículos,
E as formas de expressão
Possíveis
São aquelas mais inverossímeis

Não acredito em amarelo,
Nem em minhas canetas


O coreto quebrado do Senhor Duque

E desisto

Abdico de minha
Crença
Em tudo o que
Escrevíamos antes
Pois,
Meu caro senhor,
Agia como
Um charlatão
Que pouco conhece
As cartas
Salvas,
Em sua mão,
Profetizando palavras
De um futuro
Próximo

Distante

Qualquer,
Sem grande emoção

Asfixio-me numa
Não-emoção
Que nos torna
Herói ou
Vilão
Por pouca visão
Apenas uma questão de
Visão




Can even see sweet Marianne...

terça-feira, 10 de maio de 2011

E sobre o dia 10 de maio de 2011...

Acordei super tarde, porque fiquei até bem depois da meia noite conversando com meu namorado. Como se não fosse habitual, rs, hoje nós completamos 4 meses de namoro, e o dia vem sendo extremamente gentil comigo. Se o amor dele não for motivo suficiente para vocês, leitores, o céu andou mostrando um pouquinho de azul depois de dias chuvosos e a Lady Gaga lançou uma música brega, oitentista, trabalhada no romantismo e com todas as promessas típicas de um começo de relacionamento... Coisas que eu AMO, pra variar... kkkkkkkk



"Cheguei ao Limite da Glória, e me seguro a um momento repleto de Verdade... Cheguei ao Limite da Glória, e me seguro a este momento, com você"

Olha, pode morrer?! Este post daqui é só uma forma de dizer o quanto eu amo você, Rodrigo, e que meu maior desejo é que essa sensação de juventude em estar a seu lado permaneça conosco, durante o tempo de nossa vida. Como diria a sábia Mary Copeland Amos, mamãe de Tori, o problema não está em ter um corpo velho, mas sim em ter uma alma velha. Então, isso valendo para todos nós, quando o corpo estiver velho e opaco, próprio do ocaso, que a alma continue brilhando como se fosse a manhã mais bela, do mais belo sol.

Parabéns pra nós, meu anjo!




(fonte da imagem: tumblr)

domingo, 8 de maio de 2011

"Mãe e filha"

Queridas e queridos, este texto é bem antigo, e foi escrito pensando nas duas mulheres mais lindas desse mundo: minha irmã e minha mãe. Na verdade, ele é dedicado mais à primeira, só que parte de sua essência tenta representar a doçura daquela que vive brigando comigo, mas que me ama como ninguém nesse mundo. Desejo a todos as mães e seus filhos hoje que lembrem de uns versinhos bem simples, mas muito sábios, da Legião Urbana: "Sou uma gota d'água, sou um grão de areia... Você me diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais... Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo! São crianças como você... O que você vai ser quando você crescer?"

Mãe e Filha

Há uma dama que me visita, às vezes. Sempre quando a vejo em minha porta, tenho vontade de sufocá-la num único abraço, e ela, por toda sua educada doçura, beija meus olhos e diz que voltará assim que eu estiver mais calmo...

Gosto muito de recebê-la em minha porta! E gosto mais ainda de sentir que, quando me olha nos olhos, ela passa a ser parte de mim, coisa de nostalgia.

Quem primeiro me falou dela foi minha filha, a garota que um dia foi de encontro ao vento e trouxe pétalas, para mim, numa brisa. Só para alegrar minha vida, para que finalmente aprendesse o nome desta dama que, às vezes, me visita, e, em alguns minutos, toma um trem e dá a partida... Por um adeus que a fazia querida, e um olá que a tornava ainda mais bonita!

Do jeito mais
Puro e livre,
Era essa
A dama
Mais bonita



És a mais bonita... Mainha.

"I can remember where I come from..."