Lorde costuma explorar a superficialidade com que nos acostumamos a viver. E ela me levou a falar (bem pouco) sobre os vazios onde estamos, eu e você.
Hologramas
Cada um luta com o que tem
E se não tiver nada,
Use seu corpo, meu bem
Acione a bomba,
Exploda o prédio,
Mate aquele que já é morto,
Também
Aquele corpo andarilho
Que se perdeu do sentido
Mas continua entretido,
Como mais um Zé Ninguém
Um ninguém
Um exército de ninguém
"I remember when your head caught flame... 'It's buzzcut season, anyway'"
sábado, 15 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
[Ranking] Os discos de Shakira, do pior ao melhor!
Shakira já se provou como uma estrela mundial e multifacetada, passeando na sua discografia pelo pop, rock, reggaeton, outros ritmos latinos e até jazz, logo no comecinho da carreira. Seu interesse de agregar a seus álbuns elementos diversos é o que dá mérito e personalidade a seu trabalho, o qual, quando inspirado, supera de longe o de suas páreas no mundo pop. Ainda que o mais chamativo ao grande público nela seja seus quadris, que não mentem nunca, Shaki tem bem mais a oferecer para quem presta atenção… E pensando nisso, decidi fazer uma lista explicando o que há de bom (e ruim) em seus discos, indo do pior ao melhor álbum. Não incluí “Magia” e “Peligro” nessa postagem, uma vez que o sucesso bateu à porta da colombiana com seu memorável “Pies Descalzos”, e este é considerado no próprio site da cantora seu primeiro lançamento. Mas não é com ele que o ranking começa…
07º - She Wolf
Ok, essa é uma escolha meio óbvia para pior disco de Shakira. She Wolf é difícil de entender: com sede de invadir de vez o mercado norte-americano, a cantora lançou um álbum meio bitchpop, meio farofeiro, meio classy (mais pra sassy) e meio rocker também… Ou seja, qualquer coisa. O problema não está nem em ser alguma ou todas essas coisas, mas de tentar abarcar tudo e acabar não sendo nada. As músicas não se conectam muito bem, e para piorar, quando o disco não ia bem nos charts ela se dispôs a lançar uma parceria com Timbaland e Lil’ Wayne, a esquecível "Give It Up To Me”. Para não dizer que o disco é um completo charco, existem canções interessantes do meio para o fim: “Men In This Town”, enérgica e dream single de todo fã, “Spy”, bem mais sensual que a faixa-título, e “Gitana”, remetendo com sua gaita à velha e boa Shakira dos primeiros álbuns. No geral, entretanto, o uivo da loba passa quase despercebido em sua discografia.
06º - Oral Fixation Vol. II
Lançado como contraponto ao “Fijación Oral Vol. I”, Oral Fixation Vol. II procura se opor ao romantismo e entrega do primeiro com faixas raivosas e dotadas até de teor político. Já em sua primeira canção vemos a cantora questionando Deus sobre as incongruências do mundo (How Do You Do), para depois reforçar seu desprezo pelo comportamento interesseiro e carniceiro da sociedade (Animal City). No meio do caminho, revemos a decepção amorosa - grande amiga da compositora Shakira - na rancorosa “Don’t Bother” e na melancólica “Dreams for Plans”, e ainda sobra espaço para escancarar suas fragilidades em “Costume Makes The Clown” - “Told you I felt lucky with my humble breasts… Well, I don’t”. O disco finaliza com uma canção super autotunada, mas de letra interessante: “Timor” trata das desigualdades planetárias (“the planet’s split in three”), apontando o dedo para a alienação e desinteresse que muitos demonstram pelo seu próximo. Alguns dos meus versos prediletos do disco estão nessa faixa, a saber: “If we forget about them, don't worry / If they forget about us, then hurry! / How about the people who don't matter anymore?”. Mesmo que suas melodias não sejam tão pungentes, Oral Fixation é redondinho e apresenta lados de Shaki que muitos esquecem por aí. Para ele, o 6º lugar.
ps: mesmo que esse disco seja o de Hips Don’t Lie, maior sucesso da artista, esta música foi incluída meses depois do lançamento original. Ela é ótima, mas destoa do resto do álbum; por isso, ficou de fora do texto.
05º - Laundry Service
“Le do, lo de, lo de” - Ainda que sejam seus versos mais conhecidos (hahahaha), Laundry Service tem mais a oferecer que “Whenever, Wherever”. O disco é irregular, devo admitir, mas possui canções realmente especiais, e com isso passa à frente do Oral Fixation nessa lista. A primeira delas é “Ready for the Good Times”, na qual Shaki prova que sua capacidade com trava-línguas se manteve firme e forte em inglês, e ainda, cativa quase que instantaneamente com seu som pegajoso e contagiante . No mesmo pique chega “Te Dejo Madrid”, mistura de rock e latinidade que sempre há de aparecer em qualquer álbum da cantora, e por fim “Que Me Quedes Tú”, uma das melhores baladas de toda sua carreira. Cantando que poderiam destruir os prazeres do mundo, contaminar toda água do planeta, fazer os filantropos e sábios renunciarem e por fim escrever de todas a última canção, Shakira reitera que nada disso importaria se ele, sim, ele ficasse com ela. “Que se me quedas tu, me queda la vida”. Com outras boas canções, como “Underneath Your Clothes” e “Poem to a Horse”, “Servicio de Lavanderia” apresentou a artista ao mundo com vontade, e mesmo sendo um pouco imaturo, o tempo mostrou que ele não dava conta do que viria por aí.
04º - Sale El Sol
Depois da conturbada era “She Wolf”, Shakira decidiu voltar a seus primórdios, e para isso produziu um disco que sumariza muito do que ela já havia criado, até ali. Sale El Sol é diverso, iluminado, e principia com a faixa-título, uma balada cheia de esperança anunciando que quando menos se espera, sai o sol. A partir dela, o disco passeia por três frentes musicais: faixas dançantes e de influência fortemente latina, como a esperta “Loca” e o reggaeton “Gordita” (em parceria com Calle 13); baladas românticas, retratando pela primeira vez a resignação pelo amor perdido (Lo Que Más) e a vontade de ser mãe (Mariposas); e finalmente, as faixas rock, a exemplo de “Tu Boca” e “Devoción”. Essa última, inclusive, causou furor entre os fãs por soar perfeitamente cabível em “Donde Están Los Ladrones”, segundo e aclamado disco da cantora. Há de se questionar: com todas essas nuanças, por que este álbum não caiu na mesma vala do She Wolf? Pelo simples fato de que ele soa autêntico em praticamente todas as músicas, e a paixão perdida no disco anterior havia voltado, com força total. À época de seu lançamento, Shakira admitiu que Sale El Sol representa um momento de renascimento íntimo para ela. Sem dúvida, essa energia renovada é o que o disco transmite.
ps: não sei bem de onde saiu a ideia de fazer um cover do The XX, mas a versão para “Islands” presente neste álbum é suave e “ensolarada”. Vale a pena escutar!
03º - Pies Descalzos
Ouvir o Pies Descalzos para quem é fã desde os anos 90 é como voltar para sua infância/adolescência, e se pegar intrigado com a forma como aquela moça da voz estranha cantava rápido. E disso para comprar o disco e passar horas repetindo o refrão até decorar cada palavra foi rápido, rápido. Mesmo com todo esse valor emocional, este disco se destaca por sua “boa imaturidade”, na forma de um frescor que empolga nas melodias, e encanta nas letras. Para além do hino “Estoy Aqui”, Pies Descalzos já demonstrava o quanto Shakira é uma pessoa apaixonada, seja por um homem, seja por sua arte. Tudo é sentido aos extremos, como uma adolescente querendo segurar o mundo só com suas mãos. E assim ela fala sobre o amor, com doçura (Antologia, Quiero), fanfarra (Te Espero Sentada) e desesperança (Pienso En Ti). Ainda trata de polêmicas nas canções “Se Quiere, Se Mata” - uma crítica ao aborto - e “Pies Descalzos, Sueños Blancos”, que mesmo discorrendo quase que aleatoriamente sobre Adão e Eva, dinossauros, e espaço-tempo, termina com um discurso relevante sobre os modelos que seguimos para ter uma vida “saudável e exemplar”. Por fim, a mistura de ritmos diversos em sua música já dá sinais neste álbum, com forte influência do reggae na divertida “Un Poco de Amor”.
O primeiro disco de Shakira tem sabor de saudosismo… E essa é só uma das razões para ele ter ficado em 3º lugar.
02º - Fijación Oral Vol. I
Fijación Oral Vol. I já chama atenção por sua capa. Shakira representa a Madona numa versão andina, e encara o ouvinte com olhos escuros, serenos, e extremamente envolventes. E “envolvente” é a palavra que define sua primeira faixa: “En Tus Pupilas” narra a paixão na forma mais suave, e se ampara na influência da música francesa para criar uma atmosfera marítima, ondulada, enternecendo na primeira audição. É seguida pela impiedosa “La Pared”, uma declaração de amor rasgada e que remete sonoramente a The Eurhythmics, para enfim desabrochar na sensualíssima “La Tortura”, música de sabor latino que se conclui num violão ritmado, quase uma percurssão.
O disco continua com “Obtener Un Sí”, faixa de bossa nova detalhista e delicada, abrindo espaço para duas composições de Gustavo Cerati, a dulcíssima “Dia Especial”, e “No”, uma balada coescrita por Shakira que mostra como as desilusões são fortes propulsoras de sua veia criativa. Vindo do refrão, “No se puede morir con tanto veneno / No se puede dedicar el alma a acumular intentos / Pesa más la rabia que el cemento”, a canção evolui para um final dramático, capturado com maestria por sua apresentação ao vivo. As pérolas do disco concluem-se com o pop certeiro de “Las de La Intuición” e a simplicidade cativante de “Dia de Enero”, uma das mais bonitas declarações de amor da cantora a seu então namorado.
De tão apaixonado, Fijación Oral Vol. I torna-se apaixonante. De quebra, é versátil, coerente, sem excessos nem ausências, e por isso vale cada nova audição.
01º Donde Están Los Ladrones
Assim como o último lugar dessa lista, a escolha do primeiro também foi óbvia! Donde Están Los Ladrones é o melhor disco de Shakira porque mesmo passados 15 anos, continua distintivo e extremamente rico em seu universo. Explora temas próprios da tapeçaria artística da cantora, mas com versos extremamente inspirados e, em alguns casos, sob uma ótica peculiar. O maior exemplo disso é a canção “Octavo Dia”, na qual a cantora narra a história de um Deus que após os 7 dias da gênese, foi passear pelo espaço, e quando voltou à Terra deparou-se com todo o caos, virando mais um desempregado “de la tasa que anualmente está creciendo sin parar”.
Musicalmente, as influências são íntimas ao coração de Shakira: “Ciega Sordomuda” usa-se dos mariachis para reforçar o dramalhão mexicano da canção, enquanto o grande sucesso “Ojos Así” pega carona na influência árabe que a cantora tem por descendência familiar. As outras canções passeiam pelo pop/rock latino, a exemplo de “Si Te Vas” e a faixa-título, havendo espaço ainda para toda a verve passional que permeia sua obra, em canções como “Inevitable” e “Tu”. Por fim, destaco a que, para mim, é a melhor canção de Shakira: “Sombra de Ti”. Com guitarras que se desmancham e um vocal honesto, a emoção é sentida em cada palavra entoada… E assim, esses versos são entregues: “Debes saber que hay pedazos de tu boca sin querer / Regados por aquí / Y que tropiezo cada día sin pensar, con un viejo recuerdo más / Y alguna nueva historia gris.”
Forjado em pura intensidade, Donde Están Los Ladrones é um bom começo para quem está conhecendo Shakira, e uma visita recorrente para qualquer fã. Indispensável!
Espero que tenham apreciado! E se quiserem deixar alguma opinião, será bem vinda!
07º - She Wolf
Ok, essa é uma escolha meio óbvia para pior disco de Shakira. She Wolf é difícil de entender: com sede de invadir de vez o mercado norte-americano, a cantora lançou um álbum meio bitchpop, meio farofeiro, meio classy (mais pra sassy) e meio rocker também… Ou seja, qualquer coisa. O problema não está nem em ser alguma ou todas essas coisas, mas de tentar abarcar tudo e acabar não sendo nada. As músicas não se conectam muito bem, e para piorar, quando o disco não ia bem nos charts ela se dispôs a lançar uma parceria com Timbaland e Lil’ Wayne, a esquecível "Give It Up To Me”. Para não dizer que o disco é um completo charco, existem canções interessantes do meio para o fim: “Men In This Town”, enérgica e dream single de todo fã, “Spy”, bem mais sensual que a faixa-título, e “Gitana”, remetendo com sua gaita à velha e boa Shakira dos primeiros álbuns. No geral, entretanto, o uivo da loba passa quase despercebido em sua discografia.
06º - Oral Fixation Vol. II
Lançado como contraponto ao “Fijación Oral Vol. I”, Oral Fixation Vol. II procura se opor ao romantismo e entrega do primeiro com faixas raivosas e dotadas até de teor político. Já em sua primeira canção vemos a cantora questionando Deus sobre as incongruências do mundo (How Do You Do), para depois reforçar seu desprezo pelo comportamento interesseiro e carniceiro da sociedade (Animal City). No meio do caminho, revemos a decepção amorosa - grande amiga da compositora Shakira - na rancorosa “Don’t Bother” e na melancólica “Dreams for Plans”, e ainda sobra espaço para escancarar suas fragilidades em “Costume Makes The Clown” - “Told you I felt lucky with my humble breasts… Well, I don’t”. O disco finaliza com uma canção super autotunada, mas de letra interessante: “Timor” trata das desigualdades planetárias (“the planet’s split in three”), apontando o dedo para a alienação e desinteresse que muitos demonstram pelo seu próximo. Alguns dos meus versos prediletos do disco estão nessa faixa, a saber: “If we forget about them, don't worry / If they forget about us, then hurry! / How about the people who don't matter anymore?”. Mesmo que suas melodias não sejam tão pungentes, Oral Fixation é redondinho e apresenta lados de Shaki que muitos esquecem por aí. Para ele, o 6º lugar.
ps: mesmo que esse disco seja o de Hips Don’t Lie, maior sucesso da artista, esta música foi incluída meses depois do lançamento original. Ela é ótima, mas destoa do resto do álbum; por isso, ficou de fora do texto.
05º - Laundry Service
“Le do, lo de, lo de” - Ainda que sejam seus versos mais conhecidos (hahahaha), Laundry Service tem mais a oferecer que “Whenever, Wherever”. O disco é irregular, devo admitir, mas possui canções realmente especiais, e com isso passa à frente do Oral Fixation nessa lista. A primeira delas é “Ready for the Good Times”, na qual Shaki prova que sua capacidade com trava-línguas se manteve firme e forte em inglês, e ainda, cativa quase que instantaneamente com seu som pegajoso e contagiante . No mesmo pique chega “Te Dejo Madrid”, mistura de rock e latinidade que sempre há de aparecer em qualquer álbum da cantora, e por fim “Que Me Quedes Tú”, uma das melhores baladas de toda sua carreira. Cantando que poderiam destruir os prazeres do mundo, contaminar toda água do planeta, fazer os filantropos e sábios renunciarem e por fim escrever de todas a última canção, Shakira reitera que nada disso importaria se ele, sim, ele ficasse com ela. “Que se me quedas tu, me queda la vida”. Com outras boas canções, como “Underneath Your Clothes” e “Poem to a Horse”, “Servicio de Lavanderia” apresentou a artista ao mundo com vontade, e mesmo sendo um pouco imaturo, o tempo mostrou que ele não dava conta do que viria por aí.
04º - Sale El Sol
Depois da conturbada era “She Wolf”, Shakira decidiu voltar a seus primórdios, e para isso produziu um disco que sumariza muito do que ela já havia criado, até ali. Sale El Sol é diverso, iluminado, e principia com a faixa-título, uma balada cheia de esperança anunciando que quando menos se espera, sai o sol. A partir dela, o disco passeia por três frentes musicais: faixas dançantes e de influência fortemente latina, como a esperta “Loca” e o reggaeton “Gordita” (em parceria com Calle 13); baladas românticas, retratando pela primeira vez a resignação pelo amor perdido (Lo Que Más) e a vontade de ser mãe (Mariposas); e finalmente, as faixas rock, a exemplo de “Tu Boca” e “Devoción”. Essa última, inclusive, causou furor entre os fãs por soar perfeitamente cabível em “Donde Están Los Ladrones”, segundo e aclamado disco da cantora. Há de se questionar: com todas essas nuanças, por que este álbum não caiu na mesma vala do She Wolf? Pelo simples fato de que ele soa autêntico em praticamente todas as músicas, e a paixão perdida no disco anterior havia voltado, com força total. À época de seu lançamento, Shakira admitiu que Sale El Sol representa um momento de renascimento íntimo para ela. Sem dúvida, essa energia renovada é o que o disco transmite.
ps: não sei bem de onde saiu a ideia de fazer um cover do The XX, mas a versão para “Islands” presente neste álbum é suave e “ensolarada”. Vale a pena escutar!
03º - Pies Descalzos
Ouvir o Pies Descalzos para quem é fã desde os anos 90 é como voltar para sua infância/adolescência, e se pegar intrigado com a forma como aquela moça da voz estranha cantava rápido. E disso para comprar o disco e passar horas repetindo o refrão até decorar cada palavra foi rápido, rápido. Mesmo com todo esse valor emocional, este disco se destaca por sua “boa imaturidade”, na forma de um frescor que empolga nas melodias, e encanta nas letras. Para além do hino “Estoy Aqui”, Pies Descalzos já demonstrava o quanto Shakira é uma pessoa apaixonada, seja por um homem, seja por sua arte. Tudo é sentido aos extremos, como uma adolescente querendo segurar o mundo só com suas mãos. E assim ela fala sobre o amor, com doçura (Antologia, Quiero), fanfarra (Te Espero Sentada) e desesperança (Pienso En Ti). Ainda trata de polêmicas nas canções “Se Quiere, Se Mata” - uma crítica ao aborto - e “Pies Descalzos, Sueños Blancos”, que mesmo discorrendo quase que aleatoriamente sobre Adão e Eva, dinossauros, e espaço-tempo, termina com um discurso relevante sobre os modelos que seguimos para ter uma vida “saudável e exemplar”. Por fim, a mistura de ritmos diversos em sua música já dá sinais neste álbum, com forte influência do reggae na divertida “Un Poco de Amor”.
O primeiro disco de Shakira tem sabor de saudosismo… E essa é só uma das razões para ele ter ficado em 3º lugar.
02º - Fijación Oral Vol. I
Fijación Oral Vol. I já chama atenção por sua capa. Shakira representa a Madona numa versão andina, e encara o ouvinte com olhos escuros, serenos, e extremamente envolventes. E “envolvente” é a palavra que define sua primeira faixa: “En Tus Pupilas” narra a paixão na forma mais suave, e se ampara na influência da música francesa para criar uma atmosfera marítima, ondulada, enternecendo na primeira audição. É seguida pela impiedosa “La Pared”, uma declaração de amor rasgada e que remete sonoramente a The Eurhythmics, para enfim desabrochar na sensualíssima “La Tortura”, música de sabor latino que se conclui num violão ritmado, quase uma percurssão.
O disco continua com “Obtener Un Sí”, faixa de bossa nova detalhista e delicada, abrindo espaço para duas composições de Gustavo Cerati, a dulcíssima “Dia Especial”, e “No”, uma balada coescrita por Shakira que mostra como as desilusões são fortes propulsoras de sua veia criativa. Vindo do refrão, “No se puede morir con tanto veneno / No se puede dedicar el alma a acumular intentos / Pesa más la rabia que el cemento”, a canção evolui para um final dramático, capturado com maestria por sua apresentação ao vivo. As pérolas do disco concluem-se com o pop certeiro de “Las de La Intuición” e a simplicidade cativante de “Dia de Enero”, uma das mais bonitas declarações de amor da cantora a seu então namorado.
De tão apaixonado, Fijación Oral Vol. I torna-se apaixonante. De quebra, é versátil, coerente, sem excessos nem ausências, e por isso vale cada nova audição.
01º Donde Están Los Ladrones
Assim como o último lugar dessa lista, a escolha do primeiro também foi óbvia! Donde Están Los Ladrones é o melhor disco de Shakira porque mesmo passados 15 anos, continua distintivo e extremamente rico em seu universo. Explora temas próprios da tapeçaria artística da cantora, mas com versos extremamente inspirados e, em alguns casos, sob uma ótica peculiar. O maior exemplo disso é a canção “Octavo Dia”, na qual a cantora narra a história de um Deus que após os 7 dias da gênese, foi passear pelo espaço, e quando voltou à Terra deparou-se com todo o caos, virando mais um desempregado “de la tasa que anualmente está creciendo sin parar”.
Musicalmente, as influências são íntimas ao coração de Shakira: “Ciega Sordomuda” usa-se dos mariachis para reforçar o dramalhão mexicano da canção, enquanto o grande sucesso “Ojos Así” pega carona na influência árabe que a cantora tem por descendência familiar. As outras canções passeiam pelo pop/rock latino, a exemplo de “Si Te Vas” e a faixa-título, havendo espaço ainda para toda a verve passional que permeia sua obra, em canções como “Inevitable” e “Tu”. Por fim, destaco a que, para mim, é a melhor canção de Shakira: “Sombra de Ti”. Com guitarras que se desmancham e um vocal honesto, a emoção é sentida em cada palavra entoada… E assim, esses versos são entregues: “Debes saber que hay pedazos de tu boca sin querer / Regados por aquí / Y que tropiezo cada día sin pensar, con un viejo recuerdo más / Y alguna nueva historia gris.”
Forjado em pura intensidade, Donde Están Los Ladrones é um bom começo para quem está conhecendo Shakira, e uma visita recorrente para qualquer fã. Indispensável!
Espero que tenham apreciado! E se quiserem deixar alguma opinião, será bem vinda!
sábado, 11 de janeiro de 2014
1:45 da manhã, e eu falando comigo
Eu quero companhia. Não posso ficar sozinho. Sei que estou sozinho. E vocês não têm com isso. Mas continuo a querer. E continuo a crescer. Estou a envelhecer. E nada posso fazer. Até quando vou rimar, eu sinto falta de ar. Cadê minha inspiração? Foi-se no meu expirar. Enquanto pensava no medo. No medo de viver só. Eu sei que falo bobagens... Estou implorando por dó! Mas saibam, amigos que leem. Que mesmo estando encolhido. Nas coisas que agora lhes digo, eu já me sinto acolhido.
Palavras são minhas amigas.
E sua atenção ao que digo.
Obrigado pela leitura.
Me desanuvia os sentidos.
Palavras são minhas amigas.
E sua atenção ao que digo.
Obrigado pela leitura.
Me desanuvia os sentidos.
sábado, 16 de novembro de 2013
Equilibrismo
Queria tanto que esse sentimento de esperança durasse. Mais sei bem que amanhã começa tudo outra vez. Acordar e lembrar de você. E ter vontade de recorrer a você, até conseguir achar uma justificativa mais aceitável para nossa separação. Pois é só assim que consigo dar mais sorriso a meu dia. Mesmo que conversarmos seja ouvir que não me quer mais, pelo menos foram palavras trocadas. E você, que representava minha mais doce virtude, passa a ser meu mais torpe vício. O vício de procurar por alguém que não mais irá me aceitar. Alguém que pode querer me ajudar, ser gentil, mas que só vai me machucar. Alguém que um dia falava de amor, e aos poucos, quase sem perceber, desistiu. Esse alguém era eu.
Você e eu. Nem um, nem mil.
E o que mais quero agora é me livrar disso tudo. Abrir as janelas da manhã e ver um céu azul me dizendo que o dia pode ser melhor. Quero sentir que existe um mundo grande o bastante para que ele lhe consuma e me dê a chance de encontrar mais amor, outra vez. A chance de encontrar em outro espírito as chaves para o meu. Para reabri-lo. Para reparti-lo. E ter comigo. Ter consigo. O que mais quero é recobrar a certeza de que as coisas vão melhorar. Mas me parece que vai demorar. E vai desconfiar. Vai me encher de dúvidas até conseguir acreditar. E, de novo, vamos brigar. Vamos desanimar. Vamos criar amor novo para que as coisas voltem a seu lugar. Mas com quem será? "Com quem será que Hernando vai casar?".
Você ou eu? Quem de nós me cortejará?
E agora é um registro tosco do que sinto em meu papel de equilibrista, levando nos braços uns 15 cacarecos que teimam em pesar. Equilibrá-los é como segurar a mim mesmo, mantendo meus pedaços ligados, mesmo que frouxamente, mesmo que só por um laço. Pois eu não quero desatar. Nem em lágrimas, personagens, ou em neuroses que uma despedida possa me causar. Eu quero ser inteiro, e quero ser inteiro antes de nova metade encontrar. Pois, ainda, eu quero me casar.
Com quem será? Com quem será?
Você e eu. Nem um, nem mil.
E o que mais quero agora é me livrar disso tudo. Abrir as janelas da manhã e ver um céu azul me dizendo que o dia pode ser melhor. Quero sentir que existe um mundo grande o bastante para que ele lhe consuma e me dê a chance de encontrar mais amor, outra vez. A chance de encontrar em outro espírito as chaves para o meu. Para reabri-lo. Para reparti-lo. E ter comigo. Ter consigo. O que mais quero é recobrar a certeza de que as coisas vão melhorar. Mas me parece que vai demorar. E vai desconfiar. Vai me encher de dúvidas até conseguir acreditar. E, de novo, vamos brigar. Vamos desanimar. Vamos criar amor novo para que as coisas voltem a seu lugar. Mas com quem será? "Com quem será que Hernando vai casar?".
Você ou eu? Quem de nós me cortejará?
E agora é um registro tosco do que sinto em meu papel de equilibrista, levando nos braços uns 15 cacarecos que teimam em pesar. Equilibrá-los é como segurar a mim mesmo, mantendo meus pedaços ligados, mesmo que frouxamente, mesmo que só por um laço. Pois eu não quero desatar. Nem em lágrimas, personagens, ou em neuroses que uma despedida possa me causar. Eu quero ser inteiro, e quero ser inteiro antes de nova metade encontrar. Pois, ainda, eu quero me casar.
Com quem será? Com quem será?
terça-feira, 8 de outubro de 2013
What is Freedom (for me)
Written for #ArtForFreedom and #secretprojectrevolution
FREEDOM
Freedom is not a sin
Nor it is a fault
Freedom cannot be measured
Only felt, or not
Freedom is born from Bravery
Through It she finds its way
That’s why we struggle to find it
As they teach us to be afraid
Because they’re all afraid, too
Afraid of the pain and death
Things that in us inhabit
There’s no escape from that
Learn from the dark inside you
Learn what you need to, dear
For there’s light all around you
Don’t live your life in fear
Photo from Recife, Brazil
FREEDOM
Freedom is not a sin
Nor it is a fault
Freedom cannot be measured
Only felt, or not
Freedom is born from Bravery
Through It she finds its way
That’s why we struggle to find it
As they teach us to be afraid
Because they’re all afraid, too
Afraid of the pain and death
Things that in us inhabit
There’s no escape from that
Learn from the dark inside you
Learn what you need to, dear
For there’s light all around you
Don’t live your life in fear
Photo from Recife, Brazil
quinta-feira, 23 de maio de 2013
"And here's a story about being free"
Ouvir esta citação numa música me fez pensar: quantas histórias nos contam que é sobre ser, ou ao menos se sentir, livre? A liberdade é assim tão rara ou somos nós que procuramos com toda força criar nossas prisões? E se nos contam sempre as mesmas narrativas nas quais não existe solução, é culpa nossa criarmos essas prisões? Se o mundo procura incessantemente formas de nos prender, o mundo humano talvez, é culpa nossa a sensação de que falta algo para nos libertar?
O inferno, de quem é? E a morte... A morte?
Eu achei genial uma música se propor a contar, ainda mais através de um instrumental, "uma história sobre ser livre". De tanto ouvir falar sobre correntes e tragédias pessoais, foi um alívio começar meu dia sabendo que histórias assim também são narradas por aí.
"You can't go home again"
O inferno, de quem é? E a morte... A morte?
Eu achei genial uma música se propor a contar, ainda mais através de um instrumental, "uma história sobre ser livre". De tanto ouvir falar sobre correntes e tragédias pessoais, foi um alívio começar meu dia sabendo que histórias assim também são narradas por aí.
"You can't go home again"
domingo, 5 de maio de 2013
"Caligrafia de Asfalto": um convite ao sentimento

Já são quase 6 meses desde que peguei a primeira cópia digital de “Caligrafia de Asfalto”, e por mais que quisesse por em palavras todas as impressões e emoções que este livro me inspirou, era como se elas não viessem. E isso não por ser um livro ruim, sequer mediano: o texto de Alan é extremamente envolvente, cheio de nuances que vão da mais funda tristeza até a mais doce alegria, e perante tudo isso, fica realmente difícil de elencar frases que possam representar um pouco do que eram as idas e vindas do autor, começando sua vida de universitário, entre Leopoldina e Ouro Preto. Como prometi que faria uma espécie de resenha do livro, cá estou eu, pondo finalmente em palavras tudo o que as palavras dele me trouxeram... Escrevo aqui um pequeno resumo de um universo, é bom que saibam.
“Caligrafia de Asfalto” é um livro de contos não-linear. A única marcação clara de tempo está no momento de chegada e, talvez, na última partida, quando nosso eu-lírico (sim, uma prosa poética) finalmente pega suas lembranças e malas e volta para casa. Há marcas temporais bem mais sutis, no entanto; elas residem no amadurecimento que fez de nosso companheiro de viagem ir de um garoto extremamente curioso até a forma de um homem. Um homem jovem, mas mais sensato, capaz de lidar com questões sufocantes e inacabadas, tomadas especialmente na forma de um relacionamento que se desfez diante da incompetência do outro em crescer. É notável como o “personagem” (se podemos deixar nesses termos) passa por diferentes estações de sua vida, com um relato tão finamente escrito que nos faz sentir o que ele sente. Ler “Caligrafia” é estar na presença desse suposto “Alan”, ser seu amigo, seu confidente, e isto cria um sentimento de empatia que por vezes nos faz querer abraçá-lo, pô-lo no colo ou simplesmente fugir desse mundo barulhento até um ponto de pleno silêncio, de paz. O eu-lírico nos convida de modo gracioso a percorrer suas diferentes trilhas, fazendo com quem sintamos amor, resignação, tristeza e raiva, raiva de gente que não sabe ir para frente... Até nós mesmos, em nossos defeitos mais dementes.
E uma das coisas que mais embala a viagem de Alan, e consequentemente a nossa, é a música. Há referências concretas a uma sorte de canções e artistas, em especial mulheres, as quais são extremamente familiares a quem goste do lado mais confessional da força. Enquanto a jornada começa ao som de Hand In My Pocket, música de uma jovem Alanis Morissette que procurava sua voz entre gritos, frescor e pontos fracos, ela vai se firmando entre outros mundos. Um deles é o de Tori Amos, que adentra de forma quieta a história de nosso amigo e se faz presente mais em momentos do que em referências. Bem dizer, o sentimento de resgate e perda, de ir em frente e ter de deixar (ainda que temporariamente) pessoas amadas em nome de um futuro, é algo que permeia o livro, assim como permeia Gold Dust, obra-prima desta cantora e compositora. Há ainda a doçura de Bouncing Off Clouds aqui e ali, bem como um pouco do ferrão e do mel das abelhas sendo sentidos por todo lugar... “A Apicultora”* pode se encaixar muito bem no caminho de nosso amigo. Alanis ainda retorna, num momento mais maduro, para ajudá-lo a superar suas decepções amorosas. “Day one, day one”... Uma hora todos temos de começar de novo, e isto brilha em “Caligrafia de Asfalto”: a sensação de que é possível sim recomeçar. “Star over again”.
Outro aspecto surpreendente, talvez o mais virtuoso do texto de Alan, o escritor, é a forma como o sexo é abordado. Se no começo ele é marcado por uma urgência adolescente, evolui para estar completamente atado ao amor, dando à sexualidade um estatuto sagrado. Todas as metáforas, as cenas descritas, as imagens criadas são coloridas, mas num tom suave, tom que suscita até compaixão. Compaixão pelo outro, pela vontade de fazer o outro feliz, compaixão no prazer que vem de ao outro dar prazer. E assim não fica difícil de ter uma quedinha pelo eu-lírico, ou ao menos pela forma como ele ama. É notável como ama, como faz amor, faz amar... Um dos contos, em particular, retrata o que falo: “Beija-flor”, no qual o ser amado é comparado ao pássaro no momento em que estão juntos, e disso surgem notáveis desdobramentos.
Existe uma quantidade infinda de outros contos e trechos do livro que poderia citar como incríveis, de tirar o fôlego, mas gostaria de dar destaque a somente mais um nessa pequena resenha que escrevo sobre “Caligrafia de Asfalto”: o texto da peça “Promete que Jura?”, montada para a VII Semana de Artes da UFOP e ganhadora de vários prêmios no evento. É simples, preparado para dois personagens e um locutor, mas profundamente tocante justo em sua simplicidade. É sobre o nascimento de uma paixão, uma paixão quase infantil, cheia de dúvidas que vão sendo aos poucos sanadas pela doçura e vontade do casal em crescer juntos. Uma das coisas mais gentis que já li em minha vida, e devo admitir que a emoção não se aguentou e caiu pelos meus olhos ao terminar de ler esta pequena pérola. É uma pérola.
Por fim, gostaria de apontar outro aspecto delicioso da leitura deste livro: ele é fácil, fácil de ler, mas nem por isso menor ou - pejorativamente - ingênuo. Toda vez que o li praticamente foi “devorando”, uma vez que cada página, cada capítulo, cada palavra instigava à próxima, fazendo com que o final chegasse como uma brisa, pela naturalidade que percorre todos os caminhos que nosso agora amigo seguiu. Existe algo na escrita de Alan Villela Barroso que torna a vida mais válida; através de suas histórias, sejam elas reais ou fantasiosas, leais ou fantasiadas, é possível resgatar o sentimento, a vontade de estar perto, o desejo de abraçar e ser abraçado por aqueles que tanto amamos mas, vez em sempre, esquecemos. “Caligrafia de Asfalto” merece ser lido e relido, e relido mais uma vez, para que sintamos desejo de vida.
Desejo de uma vida mais bonita.
* “A Apicultora” é uma tradução livre para o título de um disco de Tori Amos, “The Beekeeper”.
Ps. 1: Se depois de ler esta resenha, quiser adquirir o livro, segue o link AQUI.
Ps. 2: aqui um vídeo criado pelo próprio Alan para a canção de Tori citada em minha resenha, Gold Dust.
Pela Janela Gold Dust, Tori Amos
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