quarta-feira, 16 de maio de 2012
As injustiçadas da Madonna!
Entra turnê, sai turnê, e a mesma comoção causada por rumores de setlist para o novo show da Madonna nunca muda! Estou acompanhando melhor este ano, até porque é o show que finalmente assistirei ao vivo (@___@), e acaba sendo, ao mesmo tempo, divertido e decepcionante ver músicas que você tanto quer ao vivo se perderem no meio dos rumores. É o que está, ao que parece, acontecendo com Love Spent (ouça AQUI), minha favorita do MDNA, e que inacreditavelmente, pode ficar fora do show!
Pensando sobre isso, decidi elencar 5 (6, na verdade) canções que quase todo mundo gostaria de ouvir ao vivo, com uma apresentação pomposa de turnê, mas que infelizmente não tiveram a sorte de ver a luz do dia... Algumas delas tão legais ou bem sucedidas que até ao vivo já foram apresentadas! Vamos lá, e caso queira sugerir sua mágoa com Madonna nos comentários, será bem vinda hehehehe
nota: links para assistir aos videoclipes das músicas nos nomes delas!
BAD GIRL (Erotica, 1992)
Um dos singles mais contundentes do Erotica, Bad Girl "disserta" sobre a rotina de uma mulher apaixonada e tentando a duras penas controlar seus demônios. A garota má na verdade não sabe o que fazer com seu companheiro e o amor que ele traz consigo, e acaba o magoando e fatalmente magoando a si mesma. Dona de um clipe estupendo, a canção já foi foi honrosamente apresentada ao vivo no Saturday Night Live (ouça aqui), mas nunca teve espaço nos setlists finais do shows... Chegou-se a cogitá-la para a Re-invention Tour, mas Deeper And Deeper versão Jazz (ouça aqui) entrou no lugar e ficamos chupando dedo, mais uma vez. I'm not happy this way, Madonna!
TAKE A BOW (Bedtime Stories, 1994)
Eu não sou muito fã de Take A Bow. Pra falar a verdade, a atmosfera ~requintada~ dela, somada aos backing vocals do produtor da faixa, Baby Face, nunca me agradou muito, ainda que Madonna tenha feito bonito com o vídeo da canção. O que faz com que ela entre nessa lista é na verdade o sucesso ESTRONDOSO que fez! A faixa alcançou o primeiro lugar na Billboard quando a carreira de Madge andava um pouco retraída (anos pós-erotica), êxito que ela não obtém desde o Music, mas nunca conseguiu um lugar que fosse em setlists finais (em 2004, ela seria tocada como a ponte de Mother and Father, mas Madonna sabiamente usou Intervention no lugar!). Para assistir a uma apresentação ao vivo, AQUI. Para ouvir uma versão soul e muito legal da música, AQUI.
NOTHING REALLY MATTERS / THE POWER OF GOODBYE (Ray of Light, 1998)
Ambas são pérolas do colar mais refinado da Madonna, o Ray of Light; ambas tem clipes envolventes e muito bem produzidos; ambas "hitaram", Goodbye mais que NRM porque esta última foi eclipsada pela arrasa-quarteirão Beautiful Stranger; e, o mais importante, ambas são eternas favoritas dos fãs, e todos hão de concordar que seria lindo ir a um show dela e poder cantar junto, e chorar um pouco, com cada uma delas. Para nossa sorte, pelo menos, foram apresentadas em premiações, e caso queira assisti-las, é só clicar nos links a seguir: Nothing Really Matters (Grammy Awards) / The Power of Goodbye (MTV)
AMAZING (Music, 2000)
Até hoje não entendo que um HIT em potencial desses não tenha sido lançado como single, com vídeo surreal e toda a pompa de direito! Se ao menos ela tivesse tocado ao vivo, saciava um pouco minha vontade, porque Amazing não só é uma das melhores do álbum Music; é um das mais explosivas, revigorantes e alucicrazy (por que não? hahaha) faixas da carreira de Madonna! MUITA MÁGOA, UM MAR DE MÁGOA... Vou deixar um verso dela pra vocês:
"You took a poison arrow and you aimed it at my heart... It's heavy and it's bitter and it's tearing me apart! If only I could set you free... You worked your way inside of me!" <3
LOVE PROFUSION (American Life, 2003)
Tornei-me um fã viciado em 2003, pois foi a primeira Era Madônnica que acompanhei de verdade. E tomei um susto quando descobri que Love Profusion havia virado single! Acreditava que ela investiria em Nothing Fails, que até foi lançada num CD single, mas não teve a divulgação esperada. No fim das contas, o que importava era que Love Profusion tinha ganhado um clipe lindo, ainda que simples, e sem dúvida alguma, era uma das canções mais bonitas do American Life... A profusão, rs, de beats eletrônicos misturando-se perfeitamente com o violão, fundamental para marcar o teor mais orgânico da faixa, é extremamente cativante, e Madonna até pensou em inclui-la no set da Re-invention Tour para a leg europeia... Pena que não rolou =/ O jeito é ficar com a divertida e tão doce quanto versão da Regina Spektor, tocada num evento em NY em homenagem à cultura judaica, e com a seguinte peculiaridade: invés de cantar "I got you under my skin", ela se saiu com um "I got jew under my skin"! Fofa <3 Ouça AQUI!
É isso! Caso você queira ler também o texto que escrevi com meus 10 vídeos favoritos da Madonna, leia AQUI. ;)
sábado, 12 de maio de 2012
Plantando Arvoredos da Alma...
Nada escapa à senilidade. Tornar-se velho pode parecer a coisa mais ingrata da vida, mas talvez isso surja apenas da consciência da velhice - a natureza nasce e morre por assim funcionar, independente de nos sentirmos bem ou mal por ser como é. A questão que levanto é mais simples, menos filosófica, porém: relacionamentos podem envelhecer também.
Nada escapa à senilidade. Nem a forma como amamos. E nesse momento lembro das sábias palavras de um amigo: "relacionamentos dão certo quando existe vontade mútua em fazê-los durar" - vontade até quando sentimos fraquejar. O verdadeiro amor talvez exija mais coragem do que o furor da paixão, e isso é algo que se aprende, se pode aprender. A personagem do texto aprendeu a guardar o que há de melhor dentro da alma, mesmo depois dos anos, das guerras, da morte, na forma de árvores que sustentam sua vida. Creio que seja sobre isso meu texto.
Não recordo bem a música que ouvia enquanto o escrevia, mas ao pensar numa que ambientasse o texto, veio em "Ela x Ele na Cidade Sem Fim", da Vanessa da Mata. Espero ter acertado ^^
Arvoredos da Alma
Ela está levantando sua saia,
Pensando, “talvez, seja tudo de graça”
Ela até mostra a coxa, tão pálida,
Mostra suas partes, mostra sua estrada
E ele mergulha naquilo que guarda
Ele faz graça, finge ser nada,
Deseja como uma brasa enfadada
Ela o acende, suas partes, sua estrada
Eles são feitos de sonhos,
De sonhos e carne passada
Não há muito tempo, já disse,
A carne está passada
Mas se reservam à vontade,
E ao amor de quem perdeu a calma,
E teve que, com mãos calejadas,
Recolher os pedaços do que ali
Sobrara
Era tão pouco, mas assim plantara
Era tão pouco, mas quase de mágica
Era um desterro, punhado de areia
Mas já corria, corria nas veias
E foi por isso que ela viveu
E que à guerra ele sobreviveu
A coxa e a brasa,
Os sonhos, passada
Bondade sem travas
Um Deus sem palavras
Era tão pouco, mas quase de mágica
Era tão pouco, mas assim plantara
Arvoredos da alma...
Arvoredos da alma
Nada escapa à senilidade. Nem a forma como amamos. E nesse momento lembro das sábias palavras de um amigo: "relacionamentos dão certo quando existe vontade mútua em fazê-los durar" - vontade até quando sentimos fraquejar. O verdadeiro amor talvez exija mais coragem do que o furor da paixão, e isso é algo que se aprende, se pode aprender. A personagem do texto aprendeu a guardar o que há de melhor dentro da alma, mesmo depois dos anos, das guerras, da morte, na forma de árvores que sustentam sua vida. Creio que seja sobre isso meu texto.
Não recordo bem a música que ouvia enquanto o escrevia, mas ao pensar numa que ambientasse o texto, veio em "Ela x Ele na Cidade Sem Fim", da Vanessa da Mata. Espero ter acertado ^^
Arvoredos da Alma
Ela está levantando sua saia,
Pensando, “talvez, seja tudo de graça”
Ela até mostra a coxa, tão pálida,
Mostra suas partes, mostra sua estrada
E ele mergulha naquilo que guarda
Ele faz graça, finge ser nada,
Deseja como uma brasa enfadada
Ela o acende, suas partes, sua estrada
Eles são feitos de sonhos,
De sonhos e carne passada
Não há muito tempo, já disse,
A carne está passada
Mas se reservam à vontade,
E ao amor de quem perdeu a calma,
E teve que, com mãos calejadas,
Recolher os pedaços do que ali
Sobrara
Era tão pouco, mas assim plantara
Era tão pouco, mas quase de mágica
Era um desterro, punhado de areia
Mas já corria, corria nas veias
E foi por isso que ela viveu
E que à guerra ele sobreviveu
A coxa e a brasa,
Os sonhos, passada
Bondade sem travas
Um Deus sem palavras
Era tão pouco, mas quase de mágica
Era tão pouco, mas assim plantara
Arvoredos da alma...
Arvoredos da alma
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Sobre quem podemos ser.
Existem muitas coisas que passam pela minha cabeça quando penso em minha sexualidade... Algumas contraditórias, o que faz com que me sinta estúpido e ignorante, mas na maior parte do tempo tenho uma mente centrada e sei exatamente no que acredito e desacredito, sobre as percepções estranhas que possam ter de mim e de meus companheiros LGBT... Ainda que diga menos do que pense, uma fraqueza.
Minha cabeça acelerou mais cedo quando li algum tweet falando sobre homossexuais respeitarem heterossexuais. Sabe, eu nem li o tweet direito, não sei exatamente qual a afronta apontada, mas me vi confrontado com uma série de questões sobre as quais tive de escrever. Por isso este texto, na tentativa de pôr para fora coisas que, espero, sejam relevantes aos olhos de vocês. Aí vai...
Na cabeça de muitos, inclusive homossexuais, exigir direitos e o respeito devido é cercear o espaço de um heterossexual. Pois bem, não é. Nenhum gay militante quer ferir a liberdade de quaisquer outras pessoas - a questão é que muitos não percebem um fato pivotante: ferir nossa liberdade é (ou pelo menos deveria ser visto como) tão absurdo quanto. Essa eterna afirmativa de que nascemos LGBT não tem outra função senão frisar que assim como a cor de uma pele, somos como somos porque SOMOS, simplesmente. Imaginem vocês uma igreja pregando que negros vão pro inferno se não se arrependerem de sua negritude? Eles por um acaso podem abnegar-se de sua "condição preta"? No mínimo tosco, né? O mesmo vale pra LGBT.
O respeito que exigimos não é apenas uma tolerância fajuta que mascara preconceitos, não permitindo a ninguém desenvolvimento em termos humanos. Há quem diga: "você pode ser gay, só não seja perto de mim e da minha família que estará tudo bem..." Isso me deprime porque SER LGBT NÃO ME TORNA DEGRADANTE. Degradante é vermos crianças jogadas na rua e dormirmos em nossas camas sem a mínima lembrança disso. Degradante é desperdiçamos todos os recursos que temos, quando nas casas de nossos irmãos falta água, falta pão. Degradante é sermos alvo de um ódio sem sentido, uma vez que a bandeira LGBT prega o AMOR, o AMOR como estatuto maior da experiência humana. Lembro a todos vocês que o próprio Jesus Cristo deixou como mensagem maior: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.
E amar é compreender, mesmo que para isso você use antes o seu coração.
Uma outra questão que preciso levantar é do que, creio eu, origina a homofobia e ainda está engendrado demais no discurso religioso: o MACHISMO, em último grau. O texto bíblico diz: "Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão (...)", o que me leva à conclusão de que tudo se trata de papéis, "naturais" ou não. O estabelecimento do que é do homem e da mulher é algo que evoluíu para, mesmo com esforços contrários, a ressignificação destes papéis, uma fluidez que só denota como nos tornamos quem somos também pela influência que recebemos do nosso meio. Poderia ser questionado então: "você pode ser influenciado a ser gay". E eu responderia que sim, talvez seja, mas exatamente onde estou errado por ser quem sou hoje? Ser gay não é errado, tampouco certo. Ser gay não é estar doente, tampouco sadio. Ser gay não é pecar, tampouco ser virtuoso. Ser gay prescinde traços de nosso caráter e por isso não admito que me rebaixem, ainda mais por isso.
Um heterossexual vale tanto quanto um homossexual, e vice versa. Preciso repetir?
Por fim, cito outro aspecto fundamental nisso tudo, algo vindo também do próprio universo religioso: "Não julgue se quiser não ser julgado". E para tal, deixo uma música que ouvi para escrever esse texto - chama-se Hypocrates, e vem do CD Electra Heart, Marina and The Diamonds, sobre o qual escrevi pro blog também (LINK). Aqui um trecho da letra:
Você sabe que quer apenas me possuir
É este o tipo de amor que você me mostra
Você me diz uma coisa, e faz outra
Mantém todos seus segredos bem guardados...
Quem é você então para me dizer quem devo ser?
Quem é você para me dizer quem devo ser, se vivemos debaixo do mesmo céu? Somos irmãos, viemos e voltamos ao mesmo chão. E se Deus quer que nos amemos, por que não nos amamos, então?
Minha cabeça acelerou mais cedo quando li algum tweet falando sobre homossexuais respeitarem heterossexuais. Sabe, eu nem li o tweet direito, não sei exatamente qual a afronta apontada, mas me vi confrontado com uma série de questões sobre as quais tive de escrever. Por isso este texto, na tentativa de pôr para fora coisas que, espero, sejam relevantes aos olhos de vocês. Aí vai...
Na cabeça de muitos, inclusive homossexuais, exigir direitos e o respeito devido é cercear o espaço de um heterossexual. Pois bem, não é. Nenhum gay militante quer ferir a liberdade de quaisquer outras pessoas - a questão é que muitos não percebem um fato pivotante: ferir nossa liberdade é (ou pelo menos deveria ser visto como) tão absurdo quanto. Essa eterna afirmativa de que nascemos LGBT não tem outra função senão frisar que assim como a cor de uma pele, somos como somos porque SOMOS, simplesmente. Imaginem vocês uma igreja pregando que negros vão pro inferno se não se arrependerem de sua negritude? Eles por um acaso podem abnegar-se de sua "condição preta"? No mínimo tosco, né? O mesmo vale pra LGBT.
O respeito que exigimos não é apenas uma tolerância fajuta que mascara preconceitos, não permitindo a ninguém desenvolvimento em termos humanos. Há quem diga: "você pode ser gay, só não seja perto de mim e da minha família que estará tudo bem..." Isso me deprime porque SER LGBT NÃO ME TORNA DEGRADANTE. Degradante é vermos crianças jogadas na rua e dormirmos em nossas camas sem a mínima lembrança disso. Degradante é desperdiçamos todos os recursos que temos, quando nas casas de nossos irmãos falta água, falta pão. Degradante é sermos alvo de um ódio sem sentido, uma vez que a bandeira LGBT prega o AMOR, o AMOR como estatuto maior da experiência humana. Lembro a todos vocês que o próprio Jesus Cristo deixou como mensagem maior: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.
E amar é compreender, mesmo que para isso você use antes o seu coração.
Uma outra questão que preciso levantar é do que, creio eu, origina a homofobia e ainda está engendrado demais no discurso religioso: o MACHISMO, em último grau. O texto bíblico diz: "Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão (...)", o que me leva à conclusão de que tudo se trata de papéis, "naturais" ou não. O estabelecimento do que é do homem e da mulher é algo que evoluíu para, mesmo com esforços contrários, a ressignificação destes papéis, uma fluidez que só denota como nos tornamos quem somos também pela influência que recebemos do nosso meio. Poderia ser questionado então: "você pode ser influenciado a ser gay". E eu responderia que sim, talvez seja, mas exatamente onde estou errado por ser quem sou hoje? Ser gay não é errado, tampouco certo. Ser gay não é estar doente, tampouco sadio. Ser gay não é pecar, tampouco ser virtuoso. Ser gay prescinde traços de nosso caráter e por isso não admito que me rebaixem, ainda mais por isso.
Um heterossexual vale tanto quanto um homossexual, e vice versa. Preciso repetir?
Por fim, cito outro aspecto fundamental nisso tudo, algo vindo também do próprio universo religioso: "Não julgue se quiser não ser julgado". E para tal, deixo uma música que ouvi para escrever esse texto - chama-se Hypocrates, e vem do CD Electra Heart, Marina and The Diamonds, sobre o qual escrevi pro blog também (LINK). Aqui um trecho da letra:
Você sabe que quer apenas me possuir
É este o tipo de amor que você me mostra
Você me diz uma coisa, e faz outra
Mantém todos seus segredos bem guardados...
Quem é você então para me dizer quem devo ser?
Quem é você para me dizer quem devo ser, se vivemos debaixo do mesmo céu? Somos irmãos, viemos e voltamos ao mesmo chão. E se Deus quer que nos amemos, por que não nos amamos, então?
quarta-feira, 25 de abril de 2012
"Bem Vindo Ao Coração de Electra!"
NOTA: os nomes de canções mais claros são links para ouvi-las!
A vulnerabilidade. A voracidade. As duas faces de um mesmo coração. Um coração que consome com seus desejos e vontades tudo à sua volta, encantando e matando, com o único objetivo de preencher as faltas. As faltas que enchem esse mesmo coração voraz de uma certa vulnerabilidade. É assim que, na minha opinião, se constrói Electra Heart, o novo álbum da Marina & The Diamonds.
Marina decidiu criar uma série de personagens que demonstrassem, em graus distintos, a dualidade criada pela carência e ambição propriamente humanas. E nessa tapeçaria, podemos encontrar fios de amor e desilusão, com algumas falhas de personalidade descosturando aqui e ali o tapete... Assim, criando imagens desgastadas ou desgastáveis, as diferentes vidas que residem no coração de Electra estão sempre em busca de redenção... Ainda que em círculos profundamente viciosos.
A personagem mitológica grega que ilustra o conceito por trás do álbum é uma clara representação do que o descontrole e trauma podem causar: ela arquitetou e matou a própria mãe, vingando assim o assassinato do pai que ela tanto adorava. O pai, Agamenon, teve de anos antes escolher uma de suas filhas para ser sacrificada, e Electra foi salva. Sua mãe, porém, não suportou a perda e decidiu se aliar ao sobrinho dele, para que fizessem o que foi feito. A filha que sobreviveu ainda foi relegada ao tratamento de uma escrava, e como resultado, eliminou a figura materna de seu próprio coração... O coração de uma criança crescida, uma criança que não pôde amadurecer e diante de todo seu sofrimento, conseguiu somente guardar-se em mágoa e desejo de morte. Sua própria morte, até.
E é exatamente aí que se insere o texto para Electra Heart! A imagem de uma divertida lolita, devoradora de homens, querendo que todos a idolatrem e façam tudo por ela, indo de anjo a demônio sob o jugo da mínima contrariedade... São várias as faces que povoam o álbum na forma dos ditos arquétipos (Primadonna, Destruidora de Lares, Su-barbie-ana e Adolescente Inútil), e todos eles se unem por seu vazio, sua falta de identidade, uma inexistência que as torna, em maior ou menor grau, impetuosas, furiosas, más. Bad girls, se o termo vem a calhar. Aqui também é possível encaixar à pungente crítica ao Sonho Americano, de que é sim possível viver num estado além do real, basta somente negar-se a ter os pés no chão... Caindo vez ou outra, mas com os pés fora do chão.
Nesse percurso, porém, o Coração de Electra parece adquirir uma outra consciência. Se nas primeiras canções, lidar com o amor é difícil (Lies, Starring Role), tornando-o num jogo de ganhar ou ganhar (Primadonna, Homewrecker e Power & Control), à medida que o álbum evolui, vê-se sentimentos mais depurados sendo agregados à “narrativa”, na forma de uma consciência cada vez mais aguçada dessa suposta irrealidade da vida. É o que vemos em The State of Dreaming (e seu apoteótico refrão, “My Life is a Play!”), Living Dead, alcançando um pretenso ápice na apatia de "Valley of The Dolls", quando ela entoa, com desinteresse, que “got a hole inside of me”.
É a partir daí que o disco caminha pra um final “esperançoso”, se comparado às ideias veiculadas no começo. Em “Hypocrates”, ouvem-se ecos de infância em seu piano introdutório, para depois sermos confrontados com uma melodia mais “terrígena” e centrada, ainda que agridoce. Como se o coração de Electra pudesse se deparar com as coisas que lhe esvaziam, mas com um certo “let it be”... Deixando ir, deixando que aquilo se desfaça por si. Finalmente, o gran finale do álbum surge com a melancólica, mas sensata, "Fear and Loathing", uma clara análise da personagem sobre quão degradada foi sua vida em função das escolhas que fez, e que deixou que fizessem por ela:
I lived a lot of different lives
Been different people many times
I lived my life in bitterness
And filled my heart with emptiness
And now I see, I see you for the first time
There is no crime in being kind
Not everyone is out to screw you over
Maybe yeah, just maybe they just want to get to know ya
And now the time is here
Baby you don't have to live your life in fear
And the sky is clear
Is clear of fear...
Don't want to live in fear and loathing
I want to feel like I am floating
Instead of constantly exploding
In fear and loathing
“Baby, you don’t have to live your life in fear”. O mesmo medo que nos impulsiona ao isolamento, à tentativa frustrante de conseguir consolo para nossas mazelas dentro somente de nós mesmos. De preencher o vazio com mais vazio, prendendo-se ao que lhe torna algoz de si próprio. Vivendo, portanto, de medo e repulsa.
O reconhecimento de que é possível ter um entendimento mais profundo, criando uma satisfação mais concreta do que a proporcionada pelo que vem da posse, é isso que leva ao final grandioso e que soube se construir destoante do restante do disco. Como se não bastasse Electra Heart ser complexo em seu universo, ele forma sem dúvida alguma um único e vasto universo. Ouvi-lo em sequência dá a cabal impressão de que ele foi construído perfeitamente, indo da ilusão que queima os olhos em meio à escuridão da noite até a luz de um dia frio, mas suficiente para acordar, fazer ver que existe mais coisas a se conquistar. A própria Electra, ainda que, tomada pela fúria, tenha consumado o assassinato da mãe, descobriu que a indiferença desta nos últimos anos de vida era uma tentativa de protegê-la contra seu então marido, o sobrinho de Agamenon.
Como de um rio desviado que retorna a seu fluxo natural, o Coração de Electra encontra seu curso. Mesmo que às vezes o desvio tenha sido divertido, furtivo e depreciativo, ele encontra seu curso, caminho.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Hoje recebi uma carta...
Ok, não foi uma carta, foi uma mensagem virtual, mas acabou me soando como, contando uma história que precisava repassar. Pelo que entendi, é sobre um eu, um ele e uma ferida - talvez algumas, parece ser uma história que vai e volta, sem saída.
Reforço, este texto não foi meu, mas com permissão de quem escreveu, aqui está. Espero que vocês também possam gostar.
PARTE I
Pois não, não vim só reclamar, estou cheio de dúvidas, cheio de sentimentos. E você já me conhece faz um tempinho. Nosso primeiro contato foi lá pelos idos de 2007, e você permanece, é o único que permanece. Aliás, não tenho as preciosas lembranças de antes do seu surgimento. Melodramas a parte, não sei o que vim fazer aqui hoje. São tantas coisas ressoando que minha cabeça parece um ovo de cobre atacado por badalos.
Foi o retorno dele, obviamente o retorno de tão mal quisto elemento nunca trouxe boas vibrações. Se algum dia eu tiver mesmo parado de escutar o timbre agudo saindo do colchão e das paredes. Mas assim, direto, dentro da minha retina, dentro da minha casa ele não tinha voltado. Com ou sem histórias e revelaçoes fracas. Não é só o ódio que eu transmiti para a sua cara, mas é tudo sobre ele. Ele se reverte, e eu nao gosto disso. Porque eu sei os muros isolantes que eu construí com essa raiva, eu conheço cada rachadura que ainda deixa passar um ruído da sua existência. Mas um buraco assim, dessas proporções? Foi grande. Como numa acústica côncava tudo se misturou então eu odeio ele ou o outro? Vamos além, qual dos três marcou mais o travesseiro?
Sim, me jogo no meio, me lanço de ponta. Quantas vezes eu gozei para ele? Quantas vezes eu joguei copos na parede por ele? QUEM é ele? E para onde vai a raiva? Para quem? Quando até o gozo se misturou. O cheiro da porra não tem mais dono, quando se choca no frio do espelho, a porra é o ódio, a raiva é o suor. As lágrimas são a inveja.
PARTE II
Porque sim, o mais torpe dos sentires está dentro do reflexo dele. Agora que eu entrei nos seus olhos claros e arranquei uma parte deles. Agora que os vasos sanguíneos que derramam em nossas escleras dilatam a mesma ardência... eu ainda invejo ele. A capacidade de se mover, não como se eu fosse um paralítico, mas um paralisado. Eu espero, eu me escondo, francamente: eu tenho medo de ser eu. Assim está tudo aceito, trato feito. E eu sei, agora eu sei que por trás da retina dele existem brocas, existe a miopia que ele consegue esconder de todos. Quando eu olhei nos olhos dele eu vi os meus, todos despedaçados em via pública. Mas os pedaços que faltavam eram os mesmos, os que ele conseguia guardar debaixo da alma. E agora, tenho pena? Ele é torpe, ele é a personificação do mau-caratismo, ele é tudo o que eu me programei para sentir ojeriza. Mas ele consegue. Ele consegue as pessoas, tem tudo nas mãos. Eu sou torpe, por natureza eu não valho mais do que uma catarata removida e conservada em éter. Mas ele... ah... ele sabe catar cada caco que estilhaça de suas janelas, ele compartilha sua loucura com a sanidade abalada que foi-lhe dada de presente. Ele saiu. O casulo se abriu, e não foi pela força da natureza, foi pela força, simples força, de ser mais, muito mais, custando o que custasse, arranhando direto nos olhos alheios.Ele se moveu. Eu estou inerte. E a inércia não é a morte, é viver dentro do casulo, esperando me abrir a qualquer momento. Sem fazer força. Porque a força machuca, e não machuca a mim, machuca aos outros, outros que eu quero preservar. Eu invejo a podridão de não se importar, de seguir buscando novas formas mutante-evolutivas, não importa quantos cegarão diante do egoísmo demandado.
PARTE III
A terceira raiva, a que eu sei estar certa e ignoro, me conforto e me resvalo no calor de manter viva a única das mentiras na qual eu acredito, e a única que me dá a certeza de estar próxima ao fim. Eu só estou cansado, mas pensar no início do fim, no peso de cravar uma estaca em brasa nos olhos dele... eu não sei. Minhas retinas estão a ponto de cicatrizar, mas o timbre que sai do colchão, das paredes, dos cantos nas ruas, da luz se acendendo e desvelando um bejo em segredo. O timbre. É de rachar minha racionalidade.
XXX
Reforço, este texto não foi meu, mas com permissão de quem escreveu, aqui está. Espero que vocês também possam gostar.
PARTE I
Pois não, não vim só reclamar, estou cheio de dúvidas, cheio de sentimentos. E você já me conhece faz um tempinho. Nosso primeiro contato foi lá pelos idos de 2007, e você permanece, é o único que permanece. Aliás, não tenho as preciosas lembranças de antes do seu surgimento. Melodramas a parte, não sei o que vim fazer aqui hoje. São tantas coisas ressoando que minha cabeça parece um ovo de cobre atacado por badalos.
Foi o retorno dele, obviamente o retorno de tão mal quisto elemento nunca trouxe boas vibrações. Se algum dia eu tiver mesmo parado de escutar o timbre agudo saindo do colchão e das paredes. Mas assim, direto, dentro da minha retina, dentro da minha casa ele não tinha voltado. Com ou sem histórias e revelaçoes fracas. Não é só o ódio que eu transmiti para a sua cara, mas é tudo sobre ele. Ele se reverte, e eu nao gosto disso. Porque eu sei os muros isolantes que eu construí com essa raiva, eu conheço cada rachadura que ainda deixa passar um ruído da sua existência. Mas um buraco assim, dessas proporções? Foi grande. Como numa acústica côncava tudo se misturou então eu odeio ele ou o outro? Vamos além, qual dos três marcou mais o travesseiro?
Sim, me jogo no meio, me lanço de ponta. Quantas vezes eu gozei para ele? Quantas vezes eu joguei copos na parede por ele? QUEM é ele? E para onde vai a raiva? Para quem? Quando até o gozo se misturou. O cheiro da porra não tem mais dono, quando se choca no frio do espelho, a porra é o ódio, a raiva é o suor. As lágrimas são a inveja.
PARTE II
Porque sim, o mais torpe dos sentires está dentro do reflexo dele. Agora que eu entrei nos seus olhos claros e arranquei uma parte deles. Agora que os vasos sanguíneos que derramam em nossas escleras dilatam a mesma ardência... eu ainda invejo ele. A capacidade de se mover, não como se eu fosse um paralítico, mas um paralisado. Eu espero, eu me escondo, francamente: eu tenho medo de ser eu. Assim está tudo aceito, trato feito. E eu sei, agora eu sei que por trás da retina dele existem brocas, existe a miopia que ele consegue esconder de todos. Quando eu olhei nos olhos dele eu vi os meus, todos despedaçados em via pública. Mas os pedaços que faltavam eram os mesmos, os que ele conseguia guardar debaixo da alma. E agora, tenho pena? Ele é torpe, ele é a personificação do mau-caratismo, ele é tudo o que eu me programei para sentir ojeriza. Mas ele consegue. Ele consegue as pessoas, tem tudo nas mãos. Eu sou torpe, por natureza eu não valho mais do que uma catarata removida e conservada em éter. Mas ele... ah... ele sabe catar cada caco que estilhaça de suas janelas, ele compartilha sua loucura com a sanidade abalada que foi-lhe dada de presente. Ele saiu. O casulo se abriu, e não foi pela força da natureza, foi pela força, simples força, de ser mais, muito mais, custando o que custasse, arranhando direto nos olhos alheios.Ele se moveu. Eu estou inerte. E a inércia não é a morte, é viver dentro do casulo, esperando me abrir a qualquer momento. Sem fazer força. Porque a força machuca, e não machuca a mim, machuca aos outros, outros que eu quero preservar. Eu invejo a podridão de não se importar, de seguir buscando novas formas mutante-evolutivas, não importa quantos cegarão diante do egoísmo demandado.
PARTE III
A terceira raiva, a que eu sei estar certa e ignoro, me conforto e me resvalo no calor de manter viva a única das mentiras na qual eu acredito, e a única que me dá a certeza de estar próxima ao fim. Eu só estou cansado, mas pensar no início do fim, no peso de cravar uma estaca em brasa nos olhos dele... eu não sei. Minhas retinas estão a ponto de cicatrizar, mas o timbre que sai do colchão, das paredes, dos cantos nas ruas, da luz se acendendo e desvelando um bejo em segredo. O timbre. É de rachar minha racionalidade.
XXX
sábado, 17 de março de 2012
Meus 10 clipes favoritos da Madonna (e razões pra você assisti-los também!)
Madonna é uma artista Pop. E desde cedo, ela aprendeu que seu êxito nesse meio estava atrelado a uma imagem potente, de uma mulher que não era capaz somente de cantar (talento que, digamos, não é o seu forte), mas poderia dançar, atuar, provocar. E no mundo da música, existem pelo menos duas maneiras de atrelar som e imagem: shows e videoclipes. Madge desde cedo se mostrou expert nas duas!
Parte da minha admiração ao trabalho dela tem total relação com seus clipes, e por conta disso decidi postar no blog os meus 10 prediletos, com motivos pelos quais são os meus 10 prediletos (risos). Alguns dos mais aclamados ficaram de fora, como Express Yourself, Vogue e Frozen, por isso, se vocês quiserem reclamar, vai ser divertido discutir também! Então, em ordem cronológica, lá vai:
(Como alguns dos vídeos não permitem que sejam colocados no post, para assisti-los é só clicar sobre os nomes deles)
LUCKY STAR (1983)
Madonna estava começando sua carreira e era somente uma garota atrevida e quase despretensiosa, se não tivesse afirmado naquela época que tinha por objetivo dominar o mundo! Esse vídeo é basicamente ela dançando uma coreografia pouco elaborada, ao lado de dois dançarinos perebentos, um deles o irmão dela, Christopher Ciccone. O que na verdade o torna legal é sua ternura, sua bagunça tentando se organizar, sua alegria e, até certo ponto, a sensualidade toda desajeitada de Madge! Ela já estava fazendo as pessoas se sentirem the luckiest by far!
LIKE A PRAYER (1989)
A então coroada Rainha do Pop já havia se mostrado polêmica em momentos anteriores, mas é a partir desse clipe que ela iniciou o momento mais crítico (e cheio de altos e baixos) da sua carreira! Isso porque Madonna decidiu tratar abertamente sobre símbolos religiosos em seu clipe, misturando-os com questões sobre racismo (cruzes queimando - Klu Klux Klan - e um santo negro) e sexo, como a própria letra sugere ao ser dúbia sobre o que exatamente seria “chegar lá”. O vídeo CAUSOU e deu o suporte necessário para aquela que se tornaria um dos maiores hinos para os fãs... Épico.
JUSTIFY MY LOVE (1990)
Inspirado pelo filme "O Porteiro da Noite" (1974, Liliana Cavani), esse clipe consegue ser muito, mas muito mais sexy que o sucessor “Erotica”. Não que não goste do segundo (pelo contrário, adoro), mas fato é que em Justify My Love Madge começa a tratar diretamente dos tabus e estereótipos sexuais, beijando mulheres, sendo agarrada pelo Tony Ward (perdão namorado, mas ele tava gato! kkkkkk), além de andar por um corredor agindo como uma voyeur dos fetiches alheios, coisa essa que muita gente não teria de coragem de assumir, mas é doidinho para fazer (tipo um filme pornô ao vivo, que seja!)... Pra terminar, essa belezura de vídeo ainda é concluído com a seguinte citação: “Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another”. Sem mais.
RAIN (1993)
É um vídeo lindo para uma balada linda. O contexto high tech combinada com a estética clean, e o realce dado ao azul, tanto nas imagens como nos olhos de Madonna, tudo isso conspira para esse clipe encher os olhos. E, desculpe a intromissão das palavras, mas Madonna mereceria ser presa se fizesse algo ruim para acompanhar a seguinte letra: “That by sheer force of will, I will raise you from the ground. And without a sound, you’ll appear, and surrender to me... To love”. Arrepiei.
HUMAN NATURE (1995)
Não sou muito fã da canção em si, e acho que por isso decidi incluir esse vídeo na lista. A música “Human Nature” torna-se algo simplesmente maior com a riqueza de elementos e coreografia do clipe, uma vez que a letra, crítica à hipocrisia e sadismo das pessoas, acaba trazendo justo o sadomasoquismo como um contraponto a todo o circo que a tinha envolvido nos últimos anos. Não bastasse a brincadeira com um pentagrama (Madonna disse que o clipe seria inicialmente uma caça às bruxas), não há como não se render ao Leather Chihuahua sendo “chicoteado” por Madge... Demais!
RAY OF LIGHT (1998)
Estou quase certo que esse seria esperado, porque Ray of Light é BOM PRA CARALHO! Fico cansado só de imaginar a paciência que o diretor Jonas Akerlund teve em gravar todas as imagens para acelerá-las, a fim de complementar, com uma estética veloz, a rapidez e urgência que a música exige, digna de um mundo que se move cada vez mais apressado a um destino incerto... Mas positivo, é a sensação que o clipe passa. Como se não bastasse, MEU DEUS, a ponte que leva ao final da canção com uma Madonna dourada, erguendo a mão e se movendo com a suavidade de uma deusa, já valeria o vídeo completo! É de encher os olhos!
DROWNED WORLD/SUBSTITUTE FOR LOVE (1998)
Uma das músicas mais bonitas do catálogo de Madonna, Drowned World soa simples em toda sua complexidade. E é exatamente isso que o vídeo demonstra: através de um enredo fácil, conta-se como, em alguns momentos, vive-se numa realidade que lhe puxa, lhe sufoca, lhe afoga... Talvez por já estar afogada em si própria. E ressalto aqui o comecinho e o fim do vídeo como pontos cruciais: indo de uma matilha raivosa competindo entre si por pedaços de carne até um puro abraço materno, é como se Madonna demonstrasse com toda segurança que ela “descobriu ter mudado de ideia...” Era esta sua religião.
AMERICAN PIE (2000)
Lembro muito do meu pai cantando essa canção no inglês fajuto dele, e não porque conhecesse Don McLean... Foi a versão de Madonna que ele ouviu e o fez ficar repetindo “bye, bye, Miss American Pie”... É justo esse elemento cativante e gentil que me faz abrir um sorriso toda vez que assisto ao clipe de American Pie. É um recorte da sociedade norteamericana, cheio de patriotismo, e, de certo modo, verdade em seus personagens. Um convite a se deparar, nem por um instante que seja, com o dito American Dream. Quando o clipe acaba, você pode voltar a odiar a sociedade capitalista, mas durante ele, é melhor parar e se identificar com o quanto sua diversidade é bonita. Toda a diversidade, de uma forma ou de outra, acaba sendo bem apreciativa.
DON’T TELL ME (2001)
À semelhança de Rain, Don’t Tell Me também se constrói numa espécie de metaliguagem: “bastidores” do vídeo sendo mostrados no próprio vídeo. Some a isso uma coisa pacata, de interior, um filtro quente, coreografia rica e figurinos lindos, e você tem um dos clipes mais elegantes da carreira de Madge (deve ter sido o diretor francês, hahahahaha). De certa forma, condiz completamente com a canção, que pega uma temática por vezes cafona, o country, e dá a ela um tom de refino com suas batidas minimalistas... Por isso, mais uma vez, imagem e som funcionam em conjunto. E como funcionam.
HUNG UP (2005)
Termino minha lista de 10 mais com um clipe que AMO somente pelo figurino rosa que Madge usou nele. Você pode falar do filtro belíssimo, dos dançarinos incríveis envolvidos no vídeo, da música que gruda mais que aqueles pirulitos de caramelo que a gente comia na infância (minha velha infância, rs), e até da suruba no meio da pista de dança que imortalizou Hung Up nas apresentações ao vivo... Mas o figurino rosa, e somente o figurino rosa, que me faz apaixonado pelo clipe! Duas palavras: Disco. Diva. (e não é a Gretchen, hein!)
Com essa, concluo meu post sobre os clipes da Madonna - e fikdik de Girl Gone Wild, que estreia essa semana! ;D
sexta-feira, 16 de março de 2012
Das estrelas...
Às vezes me pego pensando nas coisas que poderia ter feito para que você permanecesse mais tempo aqui. Estava vendo TV e ao ver uma personagem de novela tocando piano, pensei que talvez se tivesse lhe dado um tecladinho que fosse, ou se eu mesmo soubesse tocar algo, isso lhe devolvesse o encanto que de seus olhos doloridos eu vi fugir. E como eu queria trazer você de volta, trazer você para mim... Os dias não consegue ser completos, desde que vi o brilho dos seus olhos para as estrelas subir. E lá ficar... Como é ruim o seu fim, por aqui.
E como eu errei em não ter ouvido seu pedido de socorro silencioso! Como fui estúpido em não ter ouvidos que servissem para, com o coração, ouvir! Fechei-me tanto em mim que a falta de contato não me fez infeliz - mas a você sim, e como fez, minha flor de jasmim. Deixei sua beleza secar no momento em que você não era uma árvore capaz de aguentar as chuvas frias, os ventos rígidos, e as intempéries dessa vida... Eu fraquejei em lhe deixar fraquejar, e ter deixado que esse mundo cão perdesse uma alma tão bonita foi o maior erro da minha vida!
COMO PODE ESSE MUNDO TÃO PARANÓICO TER DESTRUÍDO COM SUA VIDA?
Como eu deixei, como podia?!
Dói lembrar de como você sempre foi linda, e não se achava digna. Digna de beleza, da mais barata que fosse, mas DEUS, você é linda! Dá vontade de deitar, e rezar a qualquer divindade piedosa que te mande a meus sonhos, e faça, como já fez uma vez, que eu sinta seu abraço mais quente e sedoso pouco antes de acordar, chorando ao perceber que aquilo não se prolongaria... E você é tão bonita...
Agora estou recobrando a razão para viver, ainda que nada dessa razão tenha um sentido pleno quando não sinto você. Estou reconstruindo meu castelo de areia, meus passeios pelo bosque de cajus que ficavam em nossa fazendinha de mentira, a vista de um céu azul que é extremamente imponente, mas ao mesmo tempo cativa. Como se fosse Deus o próprio céu, em sua face mais charmosa, e ainda que o devesse respeito, eu pudesse olhá-lo de frente, sem medo de sofrer mais nessa vida... Eu mato as dores de cada uma das lembranças a cada dia, na esperança de que, num certo segundo, um segundo infinito e profundo, eu perceba que a dor também é uma mentira. Perceba que a verdade mais concreta esconde-se de mim como uma ninfa sapeca e desmedida, mas que, ao se mostrar, me seduzirá e me libertará dessa maldição que é morrer nessa vida! Quero viver até descobrir o quão a dor é mentira, mesmo que perceba depois que até minha maior alegria seja algo que tampouco existia...
EU SÓ NÃO QUERO MENTIRAS!
Já foram tantas, não quero mentiras.
E lhe preservo em minha vista. Preservo seu rosto quando reconheço em meus traços os traços da minha irmãzinha... E uma coisa me consola: saber que foi amor que a moveu, do começo ao fim de sua vida. Até nos dias em que dela você desistia, irmãzinha, havia amor o suficiente para preencher minha vida.
E eu te amo, minha princesa. E como dói te amar assim, mas eu juro:
Eu sempre te amei, desde a primeira vista.
E como eu errei em não ter ouvido seu pedido de socorro silencioso! Como fui estúpido em não ter ouvidos que servissem para, com o coração, ouvir! Fechei-me tanto em mim que a falta de contato não me fez infeliz - mas a você sim, e como fez, minha flor de jasmim. Deixei sua beleza secar no momento em que você não era uma árvore capaz de aguentar as chuvas frias, os ventos rígidos, e as intempéries dessa vida... Eu fraquejei em lhe deixar fraquejar, e ter deixado que esse mundo cão perdesse uma alma tão bonita foi o maior erro da minha vida!
COMO PODE ESSE MUNDO TÃO PARANÓICO TER DESTRUÍDO COM SUA VIDA?
Como eu deixei, como podia?!
Dói lembrar de como você sempre foi linda, e não se achava digna. Digna de beleza, da mais barata que fosse, mas DEUS, você é linda! Dá vontade de deitar, e rezar a qualquer divindade piedosa que te mande a meus sonhos, e faça, como já fez uma vez, que eu sinta seu abraço mais quente e sedoso pouco antes de acordar, chorando ao perceber que aquilo não se prolongaria... E você é tão bonita...
Agora estou recobrando a razão para viver, ainda que nada dessa razão tenha um sentido pleno quando não sinto você. Estou reconstruindo meu castelo de areia, meus passeios pelo bosque de cajus que ficavam em nossa fazendinha de mentira, a vista de um céu azul que é extremamente imponente, mas ao mesmo tempo cativa. Como se fosse Deus o próprio céu, em sua face mais charmosa, e ainda que o devesse respeito, eu pudesse olhá-lo de frente, sem medo de sofrer mais nessa vida... Eu mato as dores de cada uma das lembranças a cada dia, na esperança de que, num certo segundo, um segundo infinito e profundo, eu perceba que a dor também é uma mentira. Perceba que a verdade mais concreta esconde-se de mim como uma ninfa sapeca e desmedida, mas que, ao se mostrar, me seduzirá e me libertará dessa maldição que é morrer nessa vida! Quero viver até descobrir o quão a dor é mentira, mesmo que perceba depois que até minha maior alegria seja algo que tampouco existia...
EU SÓ NÃO QUERO MENTIRAS!
Já foram tantas, não quero mentiras.
E lhe preservo em minha vista. Preservo seu rosto quando reconheço em meus traços os traços da minha irmãzinha... E uma coisa me consola: saber que foi amor que a moveu, do começo ao fim de sua vida. Até nos dias em que dela você desistia, irmãzinha, havia amor o suficiente para preencher minha vida.
E eu te amo, minha princesa. E como dói te amar assim, mas eu juro:
Eu sempre te amei, desde a primeira vista.
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