Follow by Email

sábado, 12 de maio de 2012

Plantando Arvoredos da Alma...

Nada escapa à senilidade. Tornar-se velho pode parecer a coisa mais ingrata da vida, mas talvez isso surja apenas da consciência da velhice - a natureza nasce e morre por assim funcionar, independente de nos sentirmos bem ou mal por ser como é. A questão que levanto é mais simples, menos filosófica, porém: relacionamentos podem envelhecer também.

Nada escapa à senilidade. Nem a forma como amamos. E nesse momento lembro das sábias palavras de um amigo: "relacionamentos dão certo quando existe vontade mútua em fazê-los durar" - vontade até quando sentimos fraquejar. O verdadeiro amor talvez exija mais coragem do que o furor da paixão, e isso é algo que se aprende, se pode aprender. A personagem do texto aprendeu a guardar o que há de melhor dentro da alma, mesmo depois dos anos, das guerras, da morte, na forma de árvores que sustentam sua vida. Creio que seja sobre isso meu texto.

Não recordo bem a música que ouvia enquanto o escrevia, mas ao pensar numa que ambientasse o texto, veio em "Ela x Ele na Cidade Sem Fim", da Vanessa da Mata. Espero ter acertado ^^


Arvoredos da Alma

Ela está levantando sua saia,
Pensando, “talvez, seja tudo de graça”
Ela até mostra a coxa, tão pálida,
Mostra suas partes, mostra sua estrada

E ele mergulha naquilo que guarda
Ele faz graça, finge ser nada,
Deseja como uma brasa enfadada
Ela o acende, suas partes, sua estrada

Eles são feitos de sonhos,
De sonhos e carne passada
Não há muito tempo, já disse,
A carne está passada
Mas se reservam à vontade,
E ao amor de quem perdeu a calma,
E teve que, com mãos calejadas,
Recolher os pedaços do que ali
Sobrara
Era tão pouco, mas assim plantara
Era tão pouco, mas quase de mágica
Era um desterro, punhado de areia
Mas já corria, corria nas veias

E foi por isso que ela viveu
E que à guerra ele sobreviveu
A coxa e a brasa,
Os sonhos, passada
Bondade sem travas
Um Deus sem palavras

Era tão pouco, mas quase de mágica
Era tão pouco, mas assim plantara

Arvoredos da alma...
Arvoredos da alma


Nenhum comentário:

Postar um comentário