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quinta-feira, 19 de maio de 2011

"O suave tecido dos lírios"

A capacidade de adentrar, ser penetrante, sempre me seduziu. E não sei se tomei isso para mim como uma vontade, ou se é de fato um traço de personalidade, mas de alguma forma sempre me senti nessa posição. Pode ser ilusão, eu posso simplesmente me manter dentro de mim mesmo quando estou dentro dos outros... Mas enfim, pensar assim me faz divagar sobre quem sou, quem quero ser, ou já quis.

O mais surreal da minha experiência foi ter percebido que minha condição penetrante soa completamente paradoxal. Porque eu acabo me adaptando às pessoas e circunstâncias, dou espaço para elas me dizerem o que souberem de si. Nessas horas, nem sei se me perdi. Mas é algo que ainda guardo aqui.

Penetração ou adaptação? Esse é um movimento sem fim?

"O suave tecido dos lírios"


É líquido

O que escorre,
É líquido
Assim vai a alma,
Volta a si,
Como o líquido mais vasto e contido
Como ser vasto e contido?
É líquido

Aos poucos,
Evapora
Etérea é a forma dos sonhos,
Por isso,
Evapora
Mas sonhos,
Vertidos em realidade,
Nunca são perfeitos
Acreditar que serão é decepção?
Algo me diz que pessoas vivem
Em seus sonhos
Porque só neles
São líquidos

É líquido
Não sólido

E me atenta
O líquido,
Ainda que seja
Sólido nosso coração
Por mais que quisesse
Em solo
Me transformar,
Ser líquido
Faz de meu desejo
Um impenetrável
Penetrar
E assim me quero
Assim me adoro
Como líquido,
Diamante,
Dou-me valor,
Acho-me glório

Então,
Beba-me,
Amor
Antes de ser um homem,
Seja maior,
O amor!
Por ser líquido
O que me pertence,
E a você
Eu pertencer...

De quem?
De quê?

(É líquido...)

Para quê?

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